Gilles Gomes de Araújo Ferreira

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Mamãe eu quero!

Minas Gerais, 29 de setembro de 2006


Eu cantava sobre a liberdade com o 'coração iluminado' e sentia-me livre ao fazê-lo; livre da opressão do pai que eu temia, livre dos constrangimentos dos métodos antiquados de se educarem filhas, livre da opressão de obter boas notas de professores 'politicamente suspeitos', livre da imposição de ter que pensar sobre as pessoas com diferentes opiniões políticas.


Renate Finckh, no testemunho acima, refere-se ao período em que atuou como líder da Bund Deutscher Mädchen - a Liga das Moças Alemãs. A BDM, uma organização paramilitar, tinha por função a preservação do futuro Nacional Socialista. Para tanto, o Reich trabalhou para substituir a "opressão do pai" pela devoção ao Führer.

Anos mais tarde outro ditador, ainda mais desequilibrado que Adolf Hitler, também haveria de preocupar-se com as crianças. Para Saloth Sar, vulgo Pol Pot, essa era uma questão tão importante que o Irmão Número 1 declarou-se o verdadeiro pai de todas as crianças cambojanas. A unidade familiar foi considerada burguesa, logo deveria ser eliminada. Os filhos eram separados dos pais e deixados aos cuidados de "avós", que ensinavam-lhes a lealdade ao partido. Anos depois seriam levados a campos de reeducação, onde aprendiam a matar, torturar e mutilar, requisitos básicos para um revolucionário comunista. As crianças também eram encorajadas a espionar e denunciar os adultos, por mais insignificante que fosse a infração.

O Presidente Luiz Inácio militou no socialismo. O Primeiro-Ministro Anthony Blair também. E assim como em relação a Hitler, as semelhanças não terminam aí. Tanto o Sr. Lula quanto Mr Blair adotaram, uma vez eleitos, a famigerada "terceira via". Ambos têm problemas com as alas mais à esquerda de seus partidos. Ambos lidam com oposições sem importância. Ambos são vassalos de algum líder estrangeiro.

A analogia que nos interessa, no entanto, é o pendor autoritário que os dois trouxeram dos tempos marxistas. Luiz Inácio é governa um País à base de Medidas Provisórias e demonstra desprezo pela democracia. Anthony Blair é um presidencialista em um Parlamento, acusado de enfraquecer as instituições democráticas britânicas. O Sr. Lula tentou - e tentará - limitar a imprensa. Mr Blair intentou controlar a BBC.

Assim como os ditadores acima, o Presidente também enxerga utilidades nas crianças. Há algumas semanas, na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, muitos foram os infantes que subiram no palco para pedir votos para o Papai Urso. Aqui, no entanto, o que chama nossa atenção é o Projeto de Lei 2654/2003, da petista Maria do Rosário, defensora de José Dirceu, que proíbe qualquer castigo físico contra crianças e adolescentes.

A Deputada tem naturalmente a melhor das intenções. Do contrário, não estaria na esquerda. É saudável que não nos esqueçamos, no entanto, que as cotas raciais, o desarmamento e o comunismo também foram pensados à luz das boas intenções. Manda o bom senso desconfiar.

Por quase dez anos os trabalhistas foram absolutos na política inglesa, e nesse período fizeram a maior reforma constitucional da História daquele país. Dos sindicatos à Câmara dos Lordes, não houve instituição que não fosse reformulada - ou extinta - pela ânsia reformadora da esquerda disposta a mudar o mundo.

No Reino Unido desde 1998 as escolas estão proibidas de punir fisicamente os seus pupilos. Em 2004 a Câmara dos Comuns rejeitou uma medida semelhante à brasileira. Um decadente Mr Blair preferiu não insistir na medida e afrontar uma maioria entre 80% e 90% dos eleitores que apóiam as palmadas na educação das crianças. Isso não significa que o Novo Trabalhismo abandonou o campo pedagógico.

A esquerda britânica quer eliminar a criminalidade. É a mesma esquerda responsabilizada por fazer aumentar ano a ano a criminalidade. E que liberta prisioneiros mesmo com milhares de vagas nas cadeias.

A esquerda, como se vê, não acredita em remediar. Prefere prevenir. E não admitem que o remédio de uns é a vacina de outros. No caso dos ilhéus, prevenção significou proibição do porte de armas de fogo. Um aumento de 50% na criminalidade em um ano mostra que não foi uma boa medida. Isso não impediu, no entanto, que outros princípios fossem executados.

O último desses princípios foi apresentado pelo próprio Anthony Blair no fim de agosto deste ano, e trata das pessoas com atitudes anti-sociais. O Estado deve, na concepção dos illuminati, moderar o comportamento dessas pessoas, e por menos crível que possa parecer, em alguns casos a intervenção deve ocorrer antes que essas pessoas nasçam.

Os trabalhistas apóiam-se na psicologia, mais especificamente, no Behaviorismo, que advoga que a "conduta dos indivíduos é observável, mensurável e controlável similarmente aos fatos e eventos nas ciências naturais e nas exatas". Ora, se o homem é fruto do meio, um novo meio criará um novo homem. Assim falou Ernesto Guevara.

E como fazer? Recentemente o Governo inglês imprimiu cartilhas destinadas aos jovens casais, com recomendações que vão desde a escolha da aliança de casamento à maneira como o marido deve conversar com a esposa. Caso o ambiente familiar seja considerado perigoso ao nascituro, os pais podem perder a guarda daquele que ainda está por nascer. Condenados por antecipação.

No caso inglês, como no caso brasileiro, o que se observa é a tentativa de extinção da autoridade familiar e sua substituição pela autoridade estatal. É o Estado invadindo o "asilo inviolável do indivíduo", nas palavras da Constituição da República, e dizendo aos pais como educar seus filhos.

O líder da Câmara dos Comuns Jack Straw, ex-Secretário de Exterior de Mr Blair, observou em discurso que a cultura parental deve ser modificada a fim de que a aceitação da intervenção do governo nessa esfera seja vista como uma atitude de pais "responsáveis".

A Deputada Maria do Rosário, na defesa de seu projeto, também acredita que a relação familiar deva ser alterada. A permissão para que os pais recorram às palmadas é para a nobre parlamentar, uma manifestação do pensamento de que os pais são donos dos filhos.

Não são donos, são responsáveis por eles. E a educação dos filhos não é só a principal função dos pais, como eles são os maiores interessados nela. A integridade da criança, diz o Código Civil, é função da família.

Frank Furedi, na revista liberal on-line inglesa Sp!ked observa que o poder estatal foi além da intervenção social, passando para a intervenção individual. O Labour Party, afirma, atua como se quisesse "salvar" as crianças de seus pais. E pergunta "quanto tempo até que os britânicos precisem de uma licensa para ser pais?".


Kyrie eleison.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Mais um Borbón

A Casa del Rey anunciou agora há pouco que a Princesa de Astúrias, Doña Letizia, espera seu segundo filho para maio. O casal já tem uma filha, Doña Leonor, na foto ao lado. Os Reis de Espanha manifestaram "grande alegria" com a notícia.

Diz a mensagem oficial:
Sus Altezas Reales los Príncipes de Asturias tienen la gran alegría de anunciar que esperan el nacimiento de su segundo hijo para principios del próximo mes de mayo. Sus Majestades los Reyes desean con este motivo sumarse a la gran alegría de este feliz anuncio.

sábado, 23 de setembro de 2006

Funeral de Maria Fiodorovna Romanov, Imperatriz da Rússia.

O corpo da Imperatriz Maria Fiodorovna Romanov, mãe do último Czar da Rússia, Nicolay II, deixou hoje a Dinamarca para iniciar uma viagem a bordo de um navio da Real Marinha Dinamarquesa em direção à Rússia. Em São Petersburgo ela finalmente descansará ao lado do marido, Alexander III.

Nascida Princesa Marie Sophie Frederikke Dagmar, filha do Rei da Dinamarca, irmã do Rei George I da Grécia e cunhada do Rei Edward VII do Reino Unido, mudou o nome quando se converteu à Igreja Ortodoxa Russa. Muito popular entre os súditos, recusou-se a abandonar a Rússia bolchevista, o que só fez em 1919 diante dos pedidos insistentes da irmã. A Czarina nunca aceitou o massacre ocorrido em 1918, que matou seu filho, sua nora e seus quatro netos.

Falecida em 1928, só agora volta ao país onde viveu por mais de cinqüenta anos. Uma cerimônia realizada hoje atraiu milhares de dinamarqueses e contou com a presença da Família Real Dinamarquesa, de representantes dos Governos Dinamarquês e Russo, de membros da Igreja Ortodoxa e descendentes dos Romanov. Seguindo um desejo expresso em seu testamento, a viagem começou ao som de uma canção de Hans Christian Andersen.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

...

No terraço
Pierre-August Renoir (1841 - 1919)

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Os trens de Mussolini.

Minas Gerais, 22 de setembro de 2006
John Lukács tinha 22 anos quando abandonou sua terra natal, a Hungria. Fugia do comunismo moscovita, que descia uma Cortina de Ferro sobre a Europa. Os Estados Unidos, a "maior democracia do mundo", pareciam o refúgio perfeito. Não eram. Na revista católica Commonweal criticava o populismo macartista, cuja paranóia anticomunista tornou vítimas Charlie Chaplin, Orson Welles e Albert Einstein.

Para Mr Lukács, a maior ameaça à democracia é o populismo - que para o historiador, é a essência do nazi-fascismo e do comunismo. Assumidamente um reacionário, acredita que o melhor governo é aquele exercido por uma elite esclarecida - preferencialmente católica. Mais abrangente que George Walden em The New Elites, defende que a decadência das elites aristocráticas e a ascensão das elites democráticas abre espaço para a demagogia. As democracias liberais são também populistas.

Todos os seus livros publicados no Brasil - Cinco Dias em Londres, Churchill, O Hitler da Históra, O Fim de uma Era - valem muito mais do que o pouco que custam. O Duelo, no entanto, destaca-se ao analisar os sistemas democrático e nazista pelo perfil de seus maiores expoentes àquela época, Sir Winston Churchill e Hr. Adolf Hitler:

O grande escritor sobre o orador das massas. O cosmopolita sobre o racista. O aristocrata democrata sobre o demagogo populista. O patriota sobre o nacionalista.


A proposta seria repetida, anos mais tarde, por Diogo Mainardi, que comparou Luiz Inácio a Silvio Berlusconi. Desta vez, no entanto, seriam as semelhanças, e não as diferenças, que chamariam a atenção. "Populista, contraditório, orgulhoso da própria ignorância". Tal comparação, no entanto, parece hoje vazia. Ninguém mais se lembra de Berlusconi, assim como ninguém lembrará de Luiz Inácio um ano após o término do mandato. A intenção, no entanto, é propícia. De que maneira estariam alinhados o nazista, o petista, e o tradicionalista?

Não há como comparar Luiz Inácio e Winston Churchill. A única semelhança entre ambos é o fato de chegarem ao poder com o apoio dos trabalhadores. A experiência do poder, contudo, seria diferente para os dois.

Churchill chegou ao poder desacreditado. O Primeiro-Ministro anterior, Neville Chamberlain, caiu quando Hitler invadiu a Bélgica, confirmando o fracasso de sua "política de apaziguamento". O sucessor mais provável, o Visconde Halifax, estava impedido de ascender devido à sua condição de nobreza. Churchill seria uma solução temporária, até que os trabalhistas concordassem com os termos apresentados pelos conservadores para um governo de coalizão durante a Segunda Guerra.

Lula desde o princípio encarnou o personagem pensado pelos acadêmicos da USP: o operário que nos levaria à revolução libertadora. Operários de todo o mundo, uni-vos. Uma vez nessa condição, estabeleceu-se uma infalibilidade quase papal sobre sua conduta. Criticá-lo seria uma blasfêmia contra o semi-deus social.

Churchill chegou ao poder sem apoios. Os conservadores não gostavam dele. Os liberais não gostavam dele. Os trabalhistas não gostavam dele. O Times não gostava dele. O Rei George VI não simpatizava com seu estilo excêntrico e perguntava se era aquele o mais adequado para lidar com os alemães.

Luiz Inácio chegou amparado por quase 90% de aprovação. Os partidos, até mesmo a oposição social-democrata, aprovava seus projetos parlamentares. A imprensa submeteu-se a um servilismo constrangedor. Opôr-se ao Grande Timoneiro atraía olhares desconfiados e a alcunha de reacionários inimigos do povo.

Churchill emocionava pela força das palavras e pela escrita elegante e inteligente. Tornou-se um grande orador mesmo sendo fanho e tendo a língua presa. Lula é uma negação da gramática. Churchill fazia questão de ter todas as suas medidas aprovadas pelo Parlamento, mesmo quando não era necessário. Luiz Inácio vê no Parlamento um empecilho ao sucesso, e subtrai o Congresso a apêndice de seu Gabinete. Quando seus projetos não são sancionados, enxerga o golpe branco.

Churchill era um grande democrata. Lula despreza a democracia, esse luxo dos capitalistas burgueses. A verdadeira liberdade só é alcançada sob um Estado poderoso unificado. Sua infalibilidade sabe o que é melhor para cada um de nós.

E quanto à outra face? Escreve Lukács que Hr. Hitler acreditava que

um soldado alemão valia dois ou três soldados poloneses ou franceses ... não só devido ao equipamento alemão, mas porque um soldado alemão do Terceiro Reich
encarnava uma ideologia nacional que era mais forte e melhor do que a ideologia dos inimigos.

Para o Führer, a história era o resultado de idéias. Do outro lado da linha, Luiz Inácio imagina ser capaz de revolucionar o capitalismo, unindo os pobres contra os ricos, com atrativos puramente ideológicos. Mais tarde, não podem mais que lamentar quando os aliados abandonam o grupo por razões, digamos, pouco filosóficas.

O petista é esquerda. O nazista foi. A estrela vermelha usa a astúcia para seduzir as massas. A cruz gamada o fez. Os trabalhadores transformaram o aparelho estatal uma continuação do partido, organismo ao qual todos devem jurar lealdade. Os nacional-socialistas primeiro. Em ambos, destruir-se-ia a democracia por dentro.

Hitler era e Lula é inteligente. Os dois, no entanto, nunca foram os cérebros das revoluções que seus partidos almejaram. É apropriado dizer que não eram mais do que fantoches carismáticos das eminências pardas, a saber, José Dirceu e Joseph Goebbels. São semelhantes ao encarnar personagens históricos. Hitler aludia a Frederico, o Grande. Lula se basta com Getúlio Vargas. Luiz Inácio acredita ter sido escolhido por Deus para comandar a marcha libertadora. Hitler não acreditava em Deus, mas também entendia ser predestinado.

Há uma diferença essencial, no entanto, que impede-nos de dizer que os dois são iguais. Não, não é porque Hitler sabia ler. O fato é que o Führer era um exemplo de disciplina e retidão. Não há registro de que sejam virtudes praticadas por Sua Excelência. Nisso ambos são tão diferentes quanto Olavo de Carvalho e Marilena Chauí.

O estilo fanfarrão, a extravagância, o autoritarismo, empurram Lula para perto de outro líder das massas, Benito Mussolini. Talvez seja essa uma comparação mais acertada. Além das semelhanças entre com o hitlerismo, o Lula e Mussolini compartilham o passado socialista e o analfabetismo.

No Governo Lula desenvolveu-se uma usurpação nunca antes vista na História do Brasil, as insituições enfraqueceram e a democracia rachou. A economia, no entanto, cresceu. Nos tempos de Mussolini houve perseguição e assassinatos. Mas os trens passaram a andar na hora.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Será o Benedictus? (2)

Minas Gerais, 20 de setembro de 2006


Em um post escrito pelo meu colega dos Blogs Coligados Eduardo Levy, há uma especulação sobre como a independente BBC se comportaria para noticiar hoje a Segunda Guerra Mundial:

Se a Segunda Guerra acontecesse hoje, a BBC faria um News Extra mostrando os pobrezinhos dos alemães vítimas do monstro horrendo Churchill. Em Hard Talk, entrevistar-se-ia alguém do governo inglês que o entrevistador, naturalmete, faria parecer um pérfido genocida de pobres nazistinhas indefesos atacados com "reação desproporcional". Far-se-ia um Peacemakers, juntando trinta especialistas mundiais, presidentes de ONGs, jornalistas, com o objetivo de meter o pau em Churchill e pedir que parasse com aquela matança na Alemanha.

A análise de Levy não é só inteligente, como pode firmar-se na História. Sir Winston Churchill derrubou o monopólio que a televisão pública gozava no Reino Unido em 1954. Era uma retaliação à cobertura que a British Broadcasting Corporation desenvolveu durante a Guerra. Dizia o Primeiro-Ministro que a emissora era comandada por "comunistas".

Não pode-se dizer que as coisas não mudaram no jornalismo estatal. Elas mudaram. A empresa jogou às favas o pudor de ao menos simular neutralidade e ficou mais ousada. Se em 1952 os diretores desrespeitaram uma norma da Casa Real e exibiram um close da recém coroada Rainha Elizabeth II, em 2002 um memorando foi distribuído ameaçando de demissão aqueles que não assumissem um caráter crítico perante a monarquia.

Quem visitasse o portal na internet ontem veria, na página inicial, uma chamada para uma matéria intitulada "Se o Papa é infalível, como ele pode estar errado?". Não acredito que ele esteja, mas vale a pena notar como os liberais estão lidando com a situação.

Para o conservador jornalista Peter Hitchens eles olham a religião "do lado de fora, como uma peculiaridade sociológica de que nós, racionais, modernos, não sofremos". As igrejas só interessam quando o assunto for a ordenação de mulheres ou sacerdotes pedófilos. Sam Harris, o último a decretar o fim das religiões, lamenta ter que aliar-se à "direita cristã demagógica", uma vez que os liberais, admite, não entendem o perigo do extremismo muçulmano.

Os multiculturalistas acusam a direita conservadora de preconceito contra os muçulmanos. Daí, colocam a religião como empecilho para a completa união dos povos. E dá-lhe José Saramago, Karl Marx e Bertrand Russell. Nota-se, no entanto, que os únicos denunciados são os radicais cristãos que se negam a ter um olhar benevolente sobre a religião "de paz".

A esquerda está tão determinada a desconstruir a civilização ocidental e suas características fundamentais - a liberdade, a racionalidade, a cristandade - que alia-se a qualquer um que queira também fazâ-lo, sejam comunistas, sejam islamitas. E para tanto, vale até retroceder 800 anos para fazer as Cruzadas justificarem o terrorismo.

Se no passado Jean-Paul Sartre pedia aos comunistas franceses que mentissem sobre os crimes soviéticos para não desmotivar os revolucionários, agora são esses liberais que suavizam as deformidades de alguns dos seguidores do profeta. Por sorte, há sempre ultraconservadores como Robert Spencer e Daniel Pipes para nos lembrar que Dubai permite o jogo e a prostituição ao mesmo tempo que proíbe a entrada dos judeus. E que em alguns países os infiéis são proibidos de tocar comidas expostas nos mercados, uma vez que nenhum crente as compraria depois disso. E que judeus e armênios, em alguns lugares, são proibidos de sair de casa nos dias de chuva, porque há um receio de que um respingo de água saído dos seus pés possa contaminar os passantes.

A bíblia da esquerda moderna e bem informada, o The New York Times, criticou as palavras do Sumo Pontífice. Ontem, o rival conservador The Wall Street Journal publicou editorial denominando o Papa "Bento, o Bravo" por "dizer coisas que os muçulmanos precisam ouvir sobre fé e razão". A cristandade e a razão, lembrou o Bispo de Roma no famigerado discuso, são inseparáveis. E além de Manuel II Paleologus, Sua Santidade leu o Evangelho de João:

No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era [um]deus. - João 1:1


O Patriarca do Ocidente está certo ao dizer que para o diálogo entre culturas é necessário que todos rejeitem a irracionalidade e a violência religiosa. "É em nome dessa lógica e dessa razão que convidamos nossos colegas para o diálogo de culturas".

No post anteior citei o caso do Presidente de Assuntos Religiosos da Turquia, que falou de caça às bruxas, nazismo e guerras cristãs para condenar o Papa, e depois admitiu não ter lido o pronunciamento. Da mesma forma, o Ayatollah Khomeini não leu os Versos Satânicos de Salman Rushdie. Isso, no entanto, não o impediu de condená-lo à morte, uma sentença que atingiu também um tradutor japonês. Os muçulmanos também não viram as caricaturas de Maomé, mas nem por isso deixaram de declarar guerra ao Ocidente.

Mohammed Gaddafi, filho do ditador líbio Muammar Gaddafi, disse que não aceita as desculpas papais. Disse ainda que se o Papa deveria se converter ao islamismo. Como pregou o guerreiro com uma espada da mão.

Kyrie Eleison.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Tailândia.


Notícias dão conta de que um Golpe de Estado aconteceu na Tailândia. Tanques invadiram a capital Bangkok e soldados entraram em prédios do Governo. O Primeiro-Ministro Thaksin Shinawatra, que está em Nova Iorque, decretou estado de emergência. O exército anunciou que uma nova Constituição será elaborada e reafirmou lealdade ao Rei Bhumibol Adulyadej.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

domingo, 17 de setembro de 2006

Direita vencedora.


O Partido Moderado - Moderata samlingspartiet - venceu as eleições suecas deste domingo. Tendo à frente Fredrik Reinfeldt, em aliança com o Partido Popular Liberal, o Partido Democrata Cristão e o Partido Centrista. É a primeira vez em décadas que os social-democratas deixam o poder.

Será o Benedictus?

Minas Gerais, 17 de setembro de 2006

No começo do ano os muçulmanos de todo o mundo se indignaram com o jornal conservador dinamarquês Jyllands-Posten por ter publicado caricaturas do profeta Maomé. Embaixadas apedrejadas, bandeiras queimadas, ocidentais hostilizados. Para a maioria do lado de lá, desrespeitamos não só o Islã como todos os seus seguidores. Éramos, assim, os únicos culpados pela perturbação. Deveríamos, então, curvar-nos diante das mesquitas pedindo perdão.

Do lado de cá, o consenso era o mesmo. As Nações Unidas culparam o Governo da Dinamarca por não demonstrar "sensibilidade com os muçulmanos insultados". Houve até quem alertasse para um "Novo Holocausto", em que as vítimas seriam os muçulmanos da Europa. Mas não nos estendamos nisso. Os interessados podem verificar os arquivos deste blogue, especialmente Existe perseguição contra muçulmanos? e A hipocrisia, mais uma vez.

Dentre os dissidentes de cá, ninguém atraiu mais atenção do que Oriana Fallaci, que abandonou um auto-exílio de dez anos quando dos atentados de 11 de setembro para denunciar o servilismo do Ocidente perante o islamismo.

Sig.ra Fallaci faleceu esta semana, e o mundo muçulmano se revoltaria logo depois. O pretexto é uma declaração do Papa Bento XVI. Na Universidade de Regensburg, falando sobre a relação entre religião e violência, o Sumo Pontífice lembrou um Imperador Bizantino - Manuel II Paleologus -, que no século XIV disse que no Islã só se encontravam "coisas más e desumanas". Depois, com o discernimento que o caracteriza, afirmou que a religião encontra-se na alma, e não no corpo, daí não ser possível a conversão pela força.

A referência, no entanto, não agradou. Recordar alguém que desconfia do Islã, anotem, é ofensivo também. Para que não haja dúvidas, é recomendável não mencionar os muçulmanos, sua religião e seu profeta sem prévia autorização.

De todas as manifestações encontradas, a mais interessante vem do Presidente de Assuntos Religiosos da Turquia, Ali Bardakoğlu, conhecido como "moderado". Sidi Bardakoğlu alegou que as declarações papais eram "extraordinariamente preocupantes" e pediu uma retratação do próprio Papa. Lembrou ainda "guerras religiosas sul-americanas", "agressão nazista", "inquisição e caça às bruxas", e "supressão da ciência". Falou ainda que "se há algum antagonismo religioso no Ocidente, é responsabilidade da lógica distorcida da Igreja Cristã". Pediu o cancelamento de uma visita que o Santo Padre fará ao país.

Mais tarde, admitiu não ter lido o pronunciamento papal. Com moderados como esses... Em Gaza, cinco templos das igrejas Ortodoxa Grega e Anglicana foram incendiados. O líder do maior partido do Parlamento turco, Salih Kapusuz, comparou o Santo Padre a Adolf Hitler. Uma declaração, além de grosseira e deselegante, simplória - é de conhecimento público que Joseph Ratzinger foi membro da Juventude Hitlerista - e errônea. Os nazistas eram aliados muito próximos dos muçulmanos. Na fotografia acima, conversam Hr. Hitler e Mohammad Amin al-Husayni, Mufti de Jerusalém e tio de Yasser Arafat.

O Primeiro-Ministro da Turquia Recep Tayyip Erdoğan pediu uma retratação. O Parlamento paquistanês censurou. O Marrocos retirou seu embaixador da Santa Sé. O jornalão The New York Times criticou. O Governo argelino afirmou que o Bispo de Roma "atenta" contra o Islã e que suas palavras "um modo de semear o rancor e a humilhação".

A Primeira-Ministra Angela Merkel, cada vez mais bem cotada por este blogue, saiu em defesa do Vigário de Cristo: "O que Bento XVI enfatizou foi uma definitiva renúncia a todas as formas de violência em nome da religião". Talvez seja essa a razão da discórdia.

Kyrie Eleison.

sábado, 16 de setembro de 2006

Hugo Estenssoro




Hugo Estenssoro estará neste domingo no Manhattan Connection, às 23.00 no GNT.

Novo Layout

Não é verdade que os conservadores são avessos à mudança. Nós só queremos estar certos de que o que virá será melhor.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Que assim seja...

Do jornalista Cláudio Humberto:
Waldemar Leal, de Campo Grande (MS), foi dispensado pela entrevistadora de instituto de pesquisa após revelar que, aos 74 anos, é aposentado.

Hoje à noite tem pesquisa Datafolha.

Hisahito.

O mais novo membro da Família Imperial Japonesa foi formalmente nomeado na terça-feira à tarde, horário local. Hisahito, de acordo com a Agência Imperial Japonesa, significa "sereno e virtuoso".

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Aniversário da Rainha Paola dos Belgas

Nascida em 11 de setembro de 1937, no Forte del Marmi, Itália, a Princesa Dona Paola Ruffo di Calabria é a Rainha Consorte do Rei Albert II dos Belgas. Filha mais nova do Príncipe Fulco Ruffo di Calabria e da Condessa Luisa Gazelli, a Rainha passou toda a juventude em Roma, onde estudou Latim e Grego.

Em 1958, durante a coroação do Papa João XXIII, conheceu o Príncipe Albert, com quem se casou em 2 de julho de 1959. O casal tem três filhos: o Príncipe Phillipe, Duque de Brabant, a Princesa Astrid e o Príncipe Laurent.

A Constituição Belga não prevê nenhuma função para Sua Majestade. No entanto, ela acompanha o Rei em suas funções de Estado, cerimoniais e visitas ao exterior. A Rainha tem também funções individuais, principalmente nas esferas sociais e culturais - demonstra grande interesse na preservação da herança cultural e nas artes modernas.

Sua Majestade é fluente em francês, alemão, italiano, inglês, e holandês.

We will stand firm.

We will stand firm.

domingo, 10 de setembro de 2006

Obituário: Tāufa'āhau Tupou IV, Rei de Tonga

O sol se pôs no Reino de Tonga. O Rei Tāufa'āhau Tupou IV, que governava o país há 41 anos, faleceu em um hospital da Nova Zelândia aos 88 anos. À frente de um governo semi-feudal, Tupou IV implantou grandes reformas econômicas e educacionais que transformaram a população do país em uma das mais bem-instruídas do Pacífico. O Rei será levado de volta a Tonga por um avião da Real Força Aérea Neozelandesa na quarta-feira, quando será velado pelos 104.000 habitantes de seu país.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Nasce o futuro Imperador do Japão.

A Princesa Kiko acaba de dar à luz um menino no Hospital Aiiku, em Tóquio. É o primeiro homem a nascer na Família Imperial Japonesa em 41 anos, e seu nascimento põe fim à polêmica revisão da lei sálica, que proíbe mulheres de ascenderem ao Trono de Crisântemo. Mãe e filho passam bem.

...

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Ao som de...

Édith Piaf e Charles Aznavour cantam Le bleau de tes yeux. Clique aqui.

Um desabafo pessimista.

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto...

Ruy Barbosa de Oliveira (1849 – 1923)



Disse o Presidente, há alguns meses, que “ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética” do que ele. Diz a oposição que este é o governo mais corrupto da História da República. Diz a situação que a corrupção sempre existiu, e que só agora está sendo revelada. Ninguém se atreve a negar que a maioria dos políticos é corrupta. Exceto os políticos. Original ou orgânica, ela existe. E persiste. É interessante notar, no entanto, como a maioria das pessoas prefere ignorar que os políticos são parte da mesma sociedade que elas.

Políticos – acredite! – não caem do céu, não dão em árvores, nem se multiplicam por brotamento. É mais cômodo, no entanto, estranhar qualquer tipo de similaridade entre nós – os virtuosos – e eles – os imorais. Bruno Ganz foi severamente criticado pelos críticos alemães por retratar Adolf Hitler como um homem com paixões, sonhos, angústias, e decepções. Hitler não era uma divindade sobrenatural. A humanização do monstro aproximou-o das pessoas, e fez com que elas se identificassem. Reação semelhante – guardadas as proporções – faz-se presente aqui. Não é cômodo sugerir que um mensaleiro ou um sanguessuga compartilhe do mesmo caráter – e das falhas dele – que a maioria das pessoas. Lembrando Jean-Paul Sartre, “o inferno são os outros”.

Disse na quarta-feira o Senador Jefferson Peres que os eleitores de Luiz Inácio “compactuam com isso porque são iguais, se não piores. É a declaração pública, solene, histórica do povo brasileiro de que desvios éticos de governantes não têm importância”. Seria exagero dizer, então, que a ética – ou a falta dela – ultrapassa a questão política? É certo que não. Isso não significa, no entanto, que a falcatrua deva ser desconsiderada. Um crime não deixa de ser crime só porque, nas palavras de um Presidente em Paris, “é feito sistematicamente”. Mas dá espaço para uma provocação: em se tratando de ética, quem poderia, confortavelmente, estar na posição de atirar a primeira pedra?

Dêem-me aquele que nunca sonegou, nunca subornou, nunca fraudou, nunca perjurou, nunca corrompeu. E eu lhes darei as vaias retumbantes da multidão. “É um tolo”. Lamentemos, não é só o Rei quem está nu. Nossa defesa, então, é discriminar nossos desvios dos desvios deles. E a alegada diferença se dá, na maioria dos casos, no âmbito dos valores. Não os valores morais ou éticos, mas aqueles que servem para alguma coisa. O que é uma trapaça de alguns poucos reais comparada aos bilhões envolvidos na corrupção?

Dessa forma, não estaria errado o deputado mensaleiro que alegou que não poderia ser cassado porque só havia ficado com quarenta mil reais. Ou a juíza do Rio de Janeiro que absolveu o ex-Governador justificando que “em tempos de mensalão, trezentos mil reais” não poderiam ser levados a sério. Nada nos separa deles.

Sir Winston Churchill, lá se vão alguns anos, abordou uma mulher perguntando, “Senhora, se deitaria comigo por cinco milhões de libras?” “Acredito que sim”, respondeu ela. “Senhora, dormiria comigo por cinco libras?”, replicou o bulldog inglês. “Ora, que tipo de mulher pensa que sou?” “Senhora, isso nós dois já sabemos. Só quero saber quanto isso vai me custar”...

Kyrie Eleison.

domingo, 3 de setembro de 2006

Que assim seja...

Do site do jornalista Cláudio Humberto:
Leitor do Mato Grosso do Sul flagrou um pesquisador de importante instituto escolhendo, para indagar sobre a eleição presidencial, apenas famílias beneficiadas com o Bolsa-Família.

Do blogue do ex-Deputado Federal Roberto Jefferson:
Os institutos de pesquisa começam a acertar os números reais da preferência de Lula e Alckmin junto ao eleitorado brasileiro.

Pego uma aposta: nos próximos 15 dias Geraldo vai a 32 - 35% e Lula cai para 40%, proporcionando assim o segundo turno com os votos de Heloísa Helena. Aposto que os institutos vão fugir de uma nova desmoralização, como quando sustentaram, em equívoco semelhante, que venceria o desarmamento no plebiscito.

Vai dar segundo turno. Acompanhem e confiram.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

É um menino.

Será um menino e o Império do Sol Nascente poderá respirar aliviado. Se confirmada a notícia divulgada ontem pela revista Shukan Bunshun e a Princesa Kiko der à luz um varão na próxima semana, findará a incerteza que ronda a linha sucessória da Casa Real Nipônica.

Ainda que o pai seja o Príncipe Akishino, o segundo filho do Imperador Akihito, o recém-nascido afastará da linha de sucessão ao Trono de Crisântemo a Princesa Aiko, filha do Príncipe Herdeiro Naruhito.

Há quarenta anos não nasciam homens na Casa Real Japonesa. Segundo a norma constitucional daquele país, apenas os homens podem ascender ao trono, e a impossibilidade da Princesa Masako em gerar um filho homem abriu espaço para especulações por parte do Primeiro-Ministro liberal Junichiro Koizumi sobre a revogação da lei. A proposta não foi bem recebida pelos japoneses, situação que levou à maior manifestação política desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

¡Abajo España!

Passada a euforia inicial, a campanha da socialista Heloisa Helena arrefeceu. Alguns artistas continuam a declarar-lhe apoio, mas ao que tudo indica, a opinião pública está blindada em relação a esse tipo de declaração. Entretanto, quem acessa a página da candidata na internet encontra uma relação de personalidades internacionais que apóiam "Heloisa Helena e seus camaradas" na "luta antiimperialista".

Obviamente Noam Chomsky está lá. Mas é curioso notar que, ao menos em matéria de geografia, o PSOL é realmente revolucionário. O Reino de Espanha não existe mais, deu lugar a um "Estado Espanhol". Haverá alguma relação com a presença maciça da Izquerda Unida?

Da mesma forma, a Inglaterra, a Escócia, e a Grã-Bretanha, aparentemente, são países diferentes.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

À esquerda, revolução. À direita, golpe.

Minas Gerais, 30 de agosto de 2006

Arnaldo Jabor já disse e escreveu tolices. Nas semanas anteriores à Guerra do Iraque foram crônicas e comentários denunciando a torpeza do Presidente dos EUA e dos falcões da Casa Branca. Pediu o retorno de Clinton. Criticou a letargia do Primeiro-Ministro inglês, graças à sua "terceira via" o queridinho dos politicamente corretos social-democratas de todo o mundo.

Elogiava Lula por ter contido o ímpeto totalitário da esquerda brasileira. Depois vieram o CFJ e a Ancinav. Jabor mudou de lado. Censurou o Partido dos Trabalhadores por se opôr às reformas econômicas tentadas por Fernando Henrique e mencionadas por Luiz Inácio. Quando estourou o mensalão, o cineasta maldisse a tentativa de seqüestro da democracia. Ao mesmo tempo, repetia o Presidente na alegação de que corrupção é uma coisa que se faz "sistematicamente" no Brasil.

Tudo isso sem mencionar o rebuscamento barroco presente em seus escritos, uma extravagância à la Pedro Bial. a terça-feira Arnaldo Jabor escreveu artigo para O Estado de S. Paulo e O Globo. "Os quadrilheiros do governo não são de esquerda, não; são de direita". Impossível não lembrar de Roberto Campos e a máxima, "o Brasil é o único país do mundo onde ser de esquerda ainda dá uma conotação de prestígio". Pena que desta vez ele tenha errado...

Há alguns dias um historiador inglês elaborou uma lista com os maiores Primeiros-Ministro do século XX. No topo da lista aparece o nome de Clement Atlee, responsável pela nacionalização de um quinto da economia britânica e pelo desmonte do Império Britânico, com a descolonização da Índia, do Paquistão, do Sri Lanka e de Myanmar - ou Birmânia. Mr Atlee desbancou Sir Winston Churchill nas primeiras eleições pós Segunda Guerra Mundial.

Churchill, a propósito, aparece em inacreditável quarto lugar, atrás de Edward Heath e Margareth Thacher. Ora, em pesquisa realizada alguns anos atrás pela BBC o conservador foi eleito o maior cidadão britânico do século XX.

Resta dizer que o historiador em questão, Francis Beckett, é membro do Partido Trabalhista e já trabalhou como secretário de imprensa de sindicatos. Seria exagero dizer que isso lhe garante, como disse Campos, uma conotação de prestígio? Aparentemente sim.

Michael Moore é esquerda. Chamam-lhe "independente". Ann Coulter é direita. Chamam-lhe "bushista". Francis Fukuyama redimiu-se quando disparou contra os neo-cons. Despertou para a verdade. Tony Blair apoiou a Guerra. Passou a fazer parte da Direita - ó castigo!

Quando um repórter quer citar um jornal americano, apresenta o The New York Times, mesmo que seja inferior em qualidade e vendagem que o The Wall Street Journal. Na Inglaterra mencionam o The "Gaurdian", mesmo que o conservador The Daily Telegraph - o link está ao lado - tenha uma tiragem quase três vezes maior.

Líderes da Direita são sempre estúpidos ou frios. Líderes da Esquerda são sempre carismáticos e bem-humorados. Se um governante da Direita fracassa, é por culpa de suas idéias desumanas e sua insensibilidade. Se um governante da Esquerda fracassa, pobre coitado, um idealista vítima do sistema.

Stálin e Mao-Tsé Tung nunca são comparados a Hitler. George W. Bush sim. Condoleezza Rice visita Israel e os EUA são cúmplices do terrorismo de Estado. Hugo Chávez visita Gaddafi, Assad, e Ahmadinejad e está no pleno gozo de sua soberania. À esquerda chamam revolução. À direita chamam golpe. Aqui e lá. Não há para onde fugir.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Devidas explicações



O blogue ficou sem atualização por um bom tempo. Problemas informáticos. Voltaremos assim que a normalidade for restabelecida.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Obituário: Te Arikinui Dame Te Atairangikaahu, Rainha dos Maori


Morreu hoje aos 75 Te Atairangi Kaahu, Rainha dos Maori nos últimos 40 anos. Os maori, uma nação indígena da Nova Zelândia, há séculos anseia a independência do país. Mesmo assim, ao contrário dos súditos mais exaltados, critica as manifestações contra a visita de membros da Família Real ao país. Dizia os maori eram uma tribo leal ao monarca britânico. Visitou a Rainha Elizabeth II em Londres e o Papa João Paulo II em Roma. Na fotografia acima está ao lado da Princesa Anne - que a propósito, completa 56 anos hoje. Admirada em todo o mundo pela sabedoria e dignidade, foi a primeira mulher monarca dos maori.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Soluções legais

Minas Gerais, 04 de agosto de 2006

Suponhamos, caríssimos, que Mlle. de Sudéry estivesse certa ao escrever que "perdoa-se tudo aos amantes... e aos loucos". Não me restaria, neste caso, outra alternativa que não confiar em seu amor - ou em minha loucura.

Apresso-me em corrigir uma indesculpável incúria. Apresento-lhes Fürst Otto Eduard Leopold von Bismarck, Duque de Lauenburg , conservador, monarquista e aristocrático. Comandou a Reunificação da Alemanha, destacando-se em uma época em que grandes estadistas - Mr William Gladstone, Mr Ulysses Grant, Mr Benjamin Disraeli, Mr Abraham Lincoln, Sir John Macdonald, D. Pedro II, Hr. Klemens von Metternich, e a Rainha Victoria - eram regra em todos os cantos do mundo.

Dotado de invejável capacidade política e militar - ambientes não tão distintos -, derrubou a hegemonia militar da França de Napoleão III e venceu o exército do poderoso Império Austro-Húngaro. O Marechal de Ferro, como ficou conhecido, previu a Primeira Guerra Mundial, que esta Guerra teria início com um acontecimento tolo nos Bálcas, e que a Alemanha sairia derrotada. Acertou em todas.

Sua observação mais famosa, no entanto, é aquela que diz que "quanto menos as pessoas souberem como se fazem as salsichas e as leis, melhor dormirão à noite". Ainda que fosse um excepcional diplomata, não enxergava muita eficiência nas letras. "Os grandes problemas não se resolvem com discursos, mas a ferro e sangue". Não há como não pensar em Bismarck depois de saber que o Presidente planeja convocar uma Assembléia Constituinte.

A Constituição Federal promulgada em 1988 é a sétima da História e a sexta da República. Foi batizada pelo então constituinte Sr. Ulysses Guimarães como Constituição Cidadã. Seria mais apropriado chamá-la Constituição Demagógica. Mal-acostumados com a democracia, os deputados quiseram elaborar uma Carta sob a luz do consenso. Acabaram por aprovar um documento contraditório. Defende o direito à propriedade e a reforma agrária. Estabelece que todos são iguais perante a lei para logo depois garantir foro priviliegiado às autoridades públicas.

Em condições normais eu seria a primeira pessoa a pedir uma nova Constituição, mais enxuta, mais simples, mais realista. É preciso, no entanto, estar atento a alguns pontos antes de aplaudir um punhado de juristas que se dispôs - ou foi disposto - a se pronunciar sobre o assunto.

Primeiro, é um projeto que tem apoio tanto do Partido dos Trabalhadores quanto do Sr. Luiz Inácio. Eis razão suficiente para colocar qualquer pessoa sensata na oposição.

Segundo, a reunião de Sua Excelência com alguns "juristas" - termo que envolve desde pessoas como o saudoso Dr. Miguel Reale até esquerdo-populistas como Fábio Konder Comparato - também deve ser avaliada. O Presidente não lê. Nem livros, nem jornais, nem mesmo documentos oficiais. É cabível questionar seu conhecimento jurídico. Desde o começo do mandato pôde contar com a consultoria do Ministro da Justiça e criminalista de plantão Sr. Márcio Thomaz Bastos, que não estava presente. Quem assessorou o Sr. Luiz Inácio foi o Ministro de Relações Institucionais Sr. Tarso Genro. Aquele que considera o princípio do direito adquirido um anacronismo.

Terceiro, ao contrário do que foi noticiado, não houve participação da Ordem dos Advogados do Brasil no encontro, mas de um grupo de conselheiros dissidente. Algo como uma OAB-B. O Presidente Nacional da entidade Sr. Roberto Busato é anti-Lula até a medula. Talvez por isso não tenha sido informado sobre o encontro.

Quarto e último, esta Constituição foi escrita com o apoio do PT. O então presidente do partido, o líder sindicalista Lula, teve quatro projetos aprovados enquanto membro da Assembléia Constituinte. Os jornalistas políticos da época comprovam que o nobre deputado detestava a função legislativa. Queria ser Presidente da República. O quanto antes.

A confusão do Politburo não pode ser a única condenada pela ressurreição de Antônio Conselheiro. A responsabilidade repousa principalmente numa tradição, característica de países politicamente autoritários, de querer mudar a realidade por meio de decretos. Desde a República, imposta em nome dos ideais positivistas, sucessivos governos têm colocado a legislação como maestra das mudanças que a ocasião pedia.

O atual ordenamento constitucional não foge à regra. Coloca o Estado como responsável pela felicidade de todos os cidadãos. Talvez distribuindo Prozac gratuitamente. Diz ainda que a sociedade deve ser justa e solidária, como se o fato de não ter sido até então se deveu à ausência de lei específica. A ordem é simples: que ninguém faça nada que não esteja expressamente determinado. Ora, em 1988 quiseram regular até mesmo quantas colheres de açúcar poderíamos colocar em uma xícara de café!

O problema do Brasil não é constitucional. É institucional. E voltemos a Hr. Bismarck para terminar: "mesmo que tenha leis ruins, pode-se governar com bons servidores públicos. Mas com maus servidores públicos, nem mesmo as melhores leis podem ajudar".

segunda-feira, 31 de julho de 2006

As tentações capitalistas

Minas Gerais, 01 de agosto de 2006

Enquanto Presidente Fernando Henrique Cardoso pode ter exibido os piores defeitos - e ele os fez -, mas que não haja dúvida sobre sua desenvoltura diplomática. Elegância, fineza, classe modos. Sejamos francos, quem não envaideceu vendo o Chefe de Estado discursando em francês na Assembléia Nacional Francesa?

Luís Inácio é o anti-FHC. Fala um português sofrível, é rude, grosseiro, tosco. No começo do ano fez uma visita de Estado ao Reino Unido e foi recebido em Buckingham pela própria Rainha. Demonstrou um deslumbramento novo-riquista constrangedor. Recusou-se a vestir o fraque - desprimor que já havia oferecido a Don Juan Carlos - e contava, exultante, ao retornar, sobre as portas sem fechadura do Palácio.

Reza um ditado que "aquele que nunca comeu mel, quando come labuza-se". A "gastança em badulaques adequados a um sheik de Agadir", como bem definiu Augusto Nunes, é distintiva dos parvenus. Quem não se lembra da reforma implementada por Sua Excelência pouco depois de ocupar o Palácio do Alvorada? Da nova churrasqueira com cinco metros de comprimento? Dos roupões de algodão egípcio? Quem não se lembra da lista de compras que previa, entre outros, 600 quilos de bombons e 900 latas de leite condensado para serem consumidos em 120 dias?

Seria no mínimo constrangedor o líder de uma facção política que enxerga as "desigualdades sociais" como fruto direto do capetalismo selvagem render-se às tentações do dinheiro. No entanto, não se preocupem. Esse fenômeno não é exclusividade nossa. Em todo o mundo a extravagância financeira têm se tornado uma qualidade dos líderes progressistas.

A candidata pelo Partido Socialismo e Liberdade, Sra. Senadora Heloísa Helena, por exemplo, entre um discurso contra a "farsa neoliberal" e a "submissão ao capital estrangeiro", dirige um carro esporte Suzuki que não sai por menos de 62 mil reais. Se os cubanos estão condenados a calçar um único par de sapatos pela vida toda, essa não é uma preocupação para Fidel Castro, que não exita em usar tênis Reebok. Ninguém reclama. Mortos não falam.

No mundo democrático a impostura é um pouco mais sutil. Há alguns anos Mr Anthony Blair ganhou o mundo como o rosto de uma "nova esquerda", que não defende o socialismo, mas nem por isso deixa de combater o capitalismo. Os trabalhistas quase extinguiram a hereditariedade da Cãmara dos Lordes, tornando-a em sua maioria um organismo composto por pessoas indicadas pelos partidos. Depois descobriu-se que o Labour cobrou propina pela indicação de algumas dessas pessoas.

A proposta era a de sempre: a defesa da igualdade significava o fim dos privilégios da nobreza. Como Mr Blair não é nobre, seus privilégios não foram ameaçados. Em abril o The Daily Telegraph noticiou que o Primeiro Ministro utilizou o Queen's Flight para viagens particulares. Desde que assumiu, em 1997, já fez o avião "como táxi privado" em 677 ocasiões.

Sr. Zapatero é um caso ainda mais complicado. Sua idéia de igualdade chega ao cúmulo de tornar lei a divisão de trabalhos domésticos entre homens e mulheres. O Presidente do Governo também revogou uma lei de quase mil anos que colocava os homens em preferência na linha sucessória dos títulos de nobreza hereditários.

Em 1991 o Rei Hussein da Hordânia presenteou Sua Majestade o Rei Juan Carlos I com uma casa em Lanzarote, um destino paradisíaco nas Ilhas Canárias. A Casa de La Mareta tornou-se um destino habitual da Família Real Espanhola. Como José Luiz Rodrigues Zapatero está ali para romper com as tradições, tornou-se o primeiro Presidente a hospedar-se no prédio para tirar férias. A realeza, ao que tudo indica, não foi avisada. Na semana passada as duas filhas de Don Juan Carlos, Doña Elena e Doña Cristina, estiveram no lugar com suas famílias. Tiveram que procurar um hotel.

domingo, 23 de julho de 2006

O continente árabe

Minas Gerais, 23 de julho de 2006

Lula dá azar é o título de um artigo que Diogo Mainardi publicou na Revista Veja em setembro de 2004:

Em agosto, Lula (toc-toc-toc) visitou a República Dominicana e o Haiti. Em seguida, os dois países foram devastados pelo furacão Jeanne, que causou centenas de mortes. Em julho, o presidente passou por Santa Cruz de la Sierra, na Bolí¬via. Poucas semanas depois, a região foi assolada por um incêndio florestal de grandes proporções. Ainda em julho, Lula (toc-toc-toc) viajou para Cabo Verde e Guiné-Bissau. Assim que ele foi embora, surgiram os primeiros sinais de uma gigantesca infestação de gafanhotos naquela parte da África. Em maio, o presidente foi à China. Nos dois meses seguintes, tufões castigaram o país, provocando mais de 600 mortes. Tempestades, chamas, mares de sangue e gafanhotos: não pretendo fazer ilações injuriosas, mas tudo lembra os flagelos do Apocalipse.


Já Reinaldo Azevedo chamou o Presidente de "Midas às avessas". Na mitologia grega, tudo o que o rei tocava se transformava em ouro. Na farsa brasileira ocorre exatamente o contrário.

No discurso de posse Sua Excelência colocou a integração da América Latina como prioridade. Desde então, a Argentina e o Uruguai encenam uma guerra fria, a Bolívia deu as costas para a vizinhança - mostrando sabe-se bem o quê - e a Venezuela... enfim!

O petista também estabeleceu como prioridade a aproximação entre a América Latina e os países do continente árabe (sic). Nascia a Cúpula América do Sul-Países Árabes, sediada em Brasília, em maio de 2005. Tradição aplicada, o Presidente da Venezula Sr. Hugo Chávez constrangeu o Presidente do Iraque ao defender a resistência dos partidários de Saddam Hussein. O documento final defendia "o direito dos Estados e povos de resistir à ocupação estrangeira", criticava as "sanções unilaterais impostas à Síria pelos Estados Unidos da América", considerando uma violação aos "princípios do direito internacional", e exigia a destruição do arsenal nuclear do Estado de Israel. A quem interessar, a Cúpula convoca a Argentina e o Reino Unido a "restabelecer as negociações" para encontrar "uma solução justa, pacífica e duradoura para a controvérsia soberania em relação à questão das Malvinas (sic)".

A lenda de Midas se explica. Lula se aproxima do Oriente Médio e ele desmorona.

Tradicionalíssima, a esquerda mundial reduziu o conflito a um joguete de tribunal. Há alguns dias, na Grã-Bretanha, milhares de pessoas foram às ruas exigindo o fim da agressão israelense contra os libaneses. A passeata foi organizada por Mr George Galloway, MP, peça importante do esquema de corrupção do programa "Oil for Food". Os manifestantes carregavam cartazes com críticas ao Presidente dos EUA Mr George W. Bush.

Mr Bush, aliás, é a Geni da humanidade. Numa enqueta da FolhaOnline mais de um terço acredita que só os americanos podem pôr um fim ao conflito. Obviamente, censurando Israel.

Outro chavão é pedir uma força de paz multinacional. Os capacetes azuis das Nações Unidas não deram certo em lugar nenhum. No Haiti, em Ruanda, no Sudão... e mesmo assim as pessoas acreditam na estratégia. Assim como há quem acredite em Luís Inácio. E socialismo. É importante notar, no entanto, que quem sugerir uma medida assim ou age com má-fé ou comprova um absoluto desconhecimento da situação. Desde o final dos anos 70 a ONU mantém soldados na fronteira Israel-Líbano. As resoluções 425 e 426 determinaram que as tropas teriam por objetivo:

- Garantir a retirada das forças israelenses do sul do Líbano.
- Restaurar a paz internacional e a segurança.
- Auxiliar o governo libanês na retomada da autoridade naquela região.

Israel só abandonou a área depois de 20 anos. O sul do Líbano é até hoje parte de um Estado paralelo, comandado pelo Hezbollah. Paz e segurança. Nenhum dos analistas e especialistas em Oriente Médio que pipocaram nos jornalões notou essa incoerência, à excessão do canadense National Post, que na quarta-feira 19 publicou editorial entitulado The UN's failed mission:

At the United Nations and in Europe, there is a clamour for the deployment of a UN peacekeeping force to Southern Lebanon. The hope is that, by physically separating the two warring sides, peacekeepers can make continued war between Hezbollah and Israel impossible.

Peacekeeping is a nice idea in theory, and it has even worked once or twice in various parts of the world. But in the context of southern Lebanon, the concept is not only laughably naive, but dangerous as well.

As informed observers know, there already is a peacekeeping force in the area, and it's been there since 1978. But all the United Nations Interim Force in Lebanon (UNIFIL) has done is preside over the establishment of a de facto Hezbollah terrorist statelet on Israel's northern border. Given the United Nations' historic antipathy toward Israel, there is little reason to suspect that even a larger, better-trained force would rouse itself to offer the Jewish state any better protection.


O National Post é um jornal conservador. Por isso não repercutiu tanto. Se fosse um The Gaurdian ou um The New York Times, seria diferente. Mas não espere muita coisa deles. A UNIFIL consome anualmente US$ 100 milhões. Foi acusada de cumplicidade no seqüestro dos militares israelenses, que desencadeou todo o conflito.

Claro que os intelectuais não ficariam de fora desta nossa inquisição. Elas são sempre necessárias. A última das cabeças privilegiadas é publicar um documento denunciando um plano de "extinção da nação palestina". É assinado por Noam Chomsky - que se descreve um socialista libertário, o que já indica um gosto pela contradição -, Harold Pinter - que queria a libertação de Milosevic -, e José Saramago - um comunista milionário. Alguns trechos são, com o perdão da palavra, hilariantes:

Hoje, a uma atrocidade segue-se outra atrocidade; os mísseis improvisados se cruzam com outros sofisticados. Estes últimos, em geral, encontram seu alvo onde vivem os pobres despossuídos e morando empilhados, esperando o que alguma vez se chamou Justiça.



Além da eterna insinuação de preconceito social, como se os judeus quisesse eliminar todos os pobres, é curiosa a idéia de que os mísseis "sofisticados", ao contrário dos "improvisados", que alcançam cinqüenta quilômetros e afundam navios de guerra, geralmente encontram seu alvo - os pobres. Os improvisados não matam inocentes. A culpa é da tecnologia. Já dizia Pol Pot.

Kyrie Eleison.


P.S.: Raul Cortez morreu há pouco. Gianfranceso Guarnieri também. A manutenção de Gilberto Gil em um eventual segundo mandato petista será o tiro de misericórdia da cultura brasileira.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Os Barões de Araruna

Minas Gerais, 21 de julho de 2006

Il Duce Benito Mussolini dizia que "as poltronas e as pantufas são as ruínas do mundo". As pessoas podem ser surpreendentes. Mesmo um facista boçal e gabarola é capaz de alguns impulsos de inteligência. Alguém precisa avisar o Presidente sobre isso...

Por algumas semanas as poltronas e as pantufas compuseram o cenário de meu ócio contemplativo. Oh, quanto tempo perdido. Jornais amontoaram-se ao lado de uma estante. Ignorá-los fazia parte do meu projeto de total desconexão da realidade. Aprendi com Marilena Chauí. Era assim que pretendia evitar o ímpeto de dedicar parte das minhas folgas para escrever e voltar à rebeldia conservadora. Paga-se um preço caro pela indolência. Meu castigo foi demorar para perceber a verdade. Assim como Marilena Chauí.

Findo o recesso, dediquei-me à leitura daqueles papéis que tinha ignorado. E lendo um artigo de Miriam Leitão em O Globo, deparei-me com a incômoda verdade: eu sou o Barão de Araruna. Porque não me constranjo com a situação deplorável a que os negros do Brasil são submetidos. Porque não me incomoda não ver negros em restaurantes. Porque me dá prazer vê-los afogados na miséria. E eu achei que só era contra as cotas...

A colunista está com toda a razão. Somente uma pessoa interessada em manter o status quo da elite branca pode se opor ao Estatuto da Igualdade Racial. Só um sádico insensível e desumano não se solidarizaria perante o tratamento que a sociedade racista brasileira reserva aos afrodescendentes.

Vocês racistas dizem que a proposta do excelso Senador Sr. Paulo Paim (PT-RS) é inconstitucional. A Constituição deve ser acomodada taticamente. Que Carta democrática impediria os avanços das garantias sociais? Há direitos que devem sobrepor-se a outros em nome do bem comum. Como a reforma agrária em relação ao direito à propriedade.

Vocês preconceituosos provavelmente utilizarão a Espanha como exemplo. O primeiro projeto de lei enviado às Cortes Generales pelo Presidente do Governo Sr. José Luiz Rodriguez Zapatero tratava da proteção contra violência de gênero. Seus congêneres hispânicos no Partido Popular reclamaram que a medida protegia apenas as mulheres, deixando de lado os homens, as crianças, e os velhos. Tanto fizeram que o Consejo General del Poder Judicial declarou a norma inconstitucional, porque discriminava os cidadãos pelos sexos! Ora, todos sabem que a Espanha é caracterizada pelo conservadorismo católico da sua gente, capaz de se divertir com o sofrimento de pobres bovinos, criaturas de Deus como todos nós. O espanhóis ainda pagam imposto à Igreja Católica e se recusam a libertar os bascos, que ao contrário do que se diz, não praticam o terrorismo. O nome certo é resistência.

Vocês porcos nazistas certamente aludirão à Africa do Sul. Pois saibam desde já que desde Nelson Mandela uma série de medidas foram aprovadas para alavancar uma elite negra. Como o Black Economic Empowerment (BEE) do Presidente Mr Thabo Mbeki, que determina que 25% do capital das empresas esteja na mão de pessoas negras até o fim da próxima década. Vocês podem até procurar um artigo do professor Mr Jeffrey Herbst - que é branco - criticando a intervenção. Argumenta ele que uma minoria negra bem relacionada politicamente está sendo a única beneficiada. Expõe dados que demonstram que 60% dos negócios fechados sob à luz da nova lei em 2003 tiveram como beneficiários apenas duas pessoas, os bee-llionaires.

O escrito foi publicado no International Herald Tribune, a versão européia do jornalão americano The New York Times, aquele do fanfarrão Larry Rohter, que inventou que o Presidente Lula bebe além da conta. Meros instrumentos do capital estrangeiro e da agressiva política externa americana imperialista pró-Israel do Presidente Bush. Os americanos fazem de tudo para deter os avanços da integração latino-americana e das reformas que o governo está implementando no Brasil. É isso: os avanços incomodam os americanos. Nós temos que ser pobres para que eles sejam ricos.

Ora, Mr George W. Bush é um direitista republicano. Racista por excelência. Não viram o caos em New Orleans? Aquilo só ficou assim porque é uma cidade de maioria negra. Eu sei que Mr Abraham Lincoln, que levou o país à Guerra Civil para abolir a escravidão, era republicano. E que Mr Ulysses S. Grant, que enfrentou a Ku Kux Klan também... Mas... eram apenas... exceção. As ações afirmativas, a verdadeira abolição, foi imposta por um democrata, Mr John F. Kennedy.

Os democratas são esquerda. Mr Bill Clinton é democrata. A direita é a histórica guardiã dos preconceitos de cor, de classe, de origem. A esquerda está acima de tudo isso, são pessoas dedicadas a promover a paz social. E o crescimento econômico com distribuição de renda.

Os nazistas eram direita, certo? A esquerda nunca admitiria um projeto que envolvesse racismo. É certo que na URSS etnias inteiras foram expulsas de suas terras natais para a formação do Novo Homem Soviético. E que milhões de grupos étnicos inteiros foram condenados por crimes contra o comunismo, como quando 1 milhão de ucranianos morreram de fome. Mas é também verdade que a União Soviética distorceu toda a ideologia de Lênin. Não eram comunistas, eram capitalistas de Estado.

Os comunistas do Vietnã também perseguiram minorias raciais. Como os Montagnards - perdão, Degars. Montagnard é o nome que os colonizadores deram - e os H'Mông. E o regime do Presidente Mr Robert Mugabe declarou guerra aos brancos. De acordo com Mr Mugabe, o Zimbábue é um país para negros.

Ah, mas os cotistas alcançaram notas maiores que os não-cotistas nas universidades. Provam que são mais inteligentes. Logo... não precisariam de cotas!

Hr. Mayer Amschel Rothschild nasceu em um gueto em Frankfurt. As leis da época discriminavam os judeus, que eram impedidos, por exemplo, de se casar com quem não fosse do gueto. Isso não o impediu de criar uma dinastia de banqueiros e investidores, que se tornaram nobres na Inglaterra e na Áustria. Um relato do século XIX diz que os judeus, perseguidos na Rússia czarista, onde foi escrito Os Protocolos dos Sábios do Sião, mesmo nas casas mais pobres, dedicavam parte do orçamento familiar para comprar livros, enquanto até mesmo os aristocratas russos desdenhavam da instrução.

Pra terminar, Francis Bacon: "A baixeza mais vergonhosa é a adulação".

O Brasil é um atentado à inteligência.
Kyrie Eleison.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Valeu Portugal!

Valeu Portugal!

O centésimo

Este é o centésimo post. Para comemorar, eu ofereço-lhes o sorriso mais bonito que já vi:

Poucas notas (2)

Um blogue cingapuriano publicou caricaturas de Jesus Cristo. Saiam às ruas! Peguem em armas! Queimem embaixadas! Respondam como se deve à blasfêmia! Não se preocupem, essas reações já foram justificadas pelos nossos pensadores politicamente corretos. O que os asiáticos fizeram, claro, é uma provocação contra os valores do cristianismo. E não vale apelar para a liberdade de expressão!...

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Aproveitando que os ânimos já estão inflamados, vamos condenar o Papa! O Grande Rabino de Israel Shlomo Amar pediu ao Bispo de Roma, Vigário de Cristo, Primaz de Itália, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice, que condene a Parada Internacional do Orgulho Gay que será realizada em Israel em agosto. "Como é que o Papa tem coragem de manter esses preconceitos? Hein? E os novos paradigmas do novo milênio? A Igreja Católica é anacrônica"!

Sobre os preconceitos do Grande Rabino... qual era o nome dele mesmo?

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A Justiça francesa determinou o pagamento de indenização a um estudante francês que se sentiu prejudicado pela greve de seus professores. No Brasil, a greve de servidores da Receita Federal já dura mais de dois meses.

Ah, a civilização!...

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"EUA não podem agir como a polícia do mundo. A Coréia do Norte tem todo o direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos". Arrã.

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O Primeiro-Ministro da Austrália Mr John Howard, que tem este blogue entre seus admiradores, declarou guerra ao Big Brother Australia. "Aqui está uma grande oportunidade para um pouco de auto-regulamentação e para tirar este programa estúpido do ar. É apenas uma questão de bom gosto". O ataque veio depois que dois participantes do programa agrediram sexualmente outra participante.

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O Estado de S. Paulo publicou no domingo uma relação de políticos que descumprem as regras constitucionais e são donos de empresas de mídia. Na segunda-feira o jornalão publicou editorial criticando o poder de políticos sobre empresas jornalísticas.

E quanto ao poder da mídia sobre os políticos? Não venham me dizer que o fato de o Governo escolher o padrão japonês para TV Digital não tem relação com a preferência da TV Globo sobre este padrão.

Há alguns dias o Presidente decretou medida que auxilia centenas de emissoras de rádio e televisão que estavam com dificuldades financeiras em todo o país. Crise de bom-mocismo?

Em tempo: o chefe de polícia Mr Terry Grange acusou o Governo Blair de definir suas ações com base na pauta estipulada pelos famigerados tablóides britânicos. Hoje 61% dos ilhéus acreditam que a mídia é mais influente na administração do Reino Unido do que os políticos.

terça-feira, 4 de julho de 2006

'Ainda vai tornar-se um imenso Portugal'

Minas Gerais, 04 de julho de 2006

Há 2500 anos Lao-Tsé já advertira: "Quem fica na ponta dos dedos não se conserva de pé durante muito tempo. Claro que todos têm o direito de ser estúpidos, mas alguns abusam! Não adiantaram as advertências, os avisos, as críticas - eram tudo intrigas de oposição. A seleção brasileira deixou a bola escapar. O capitão do time diz que aprendeu uma lição: nem sempre o melhor vence. Claro que vence. Por isso perdemos.

Os italianos gostam de dizer que depois que o barco afunda, todos tinham um plano para salvá-lo. Os bodes expiatórios da estação são aqueles jogadores que pecaram por estar, nas palavras de um jornalista televisivo, "do lado errado dos trinta anos". Zinedine Zidane tem 36.

Na enquete da FolhaOnline a maioria dos internautas achava que a final seria disputada por Alemanha e Portugal. Erraram. E para os brasileiros torcer para a seleção de Luiz Felipe Scolari depois da desclassificação da Guarda Suíça (um eufemismo que Milly Lacombe criou para a seleção brasileira, antes que Jô Soares a classificasse "seleção apátrida) é automático. Além de Filipão, só mesmo alguém muito distante da realidade (um petista?) negaria os vínculos que nos ligam à terrinha, sejam parentais, culturais, ou históricos. E é daí que nasceu a confusão.

Para a intelligentsia torcer para Portugal é mais um vestígio de uma certa "vassalagem cultural". Mais burlesco que isso, só mesmo Juca Kfouri alegando uma articulação da arbitragem para favorecer times europeus. Ou seja, a culpa não é das meias de Roberto Carlos, ou a indiferença de Carlos Alberto Parreira, ou o sobrepeso de Ronaldo. Viva a teoria da conspiração!

O rancor que o Politburo dedica à terrinha está fundado na colonização. Vitimista como ela só, a esquerda culpa Cabral por todos os males que abundam em Terra Brasilis. Não importa que tenham saído daqui há 183 anos, e também ninguém alude aos 9 golpes de Estado e às 8 diferentes moedas adotadas de lá pra cá. É este o freudianismo mais ridículo: a culpa de tudo cabe sempre aos pais.

Foi Lima Barreto quem melhor debochou dos nacionalistas românticos. Em Triste Fim de Policarpo Quaresma o personagem-título chega ao cúmulo de enviar um projeto ao Congresso Nacional que torna o tupi-guarani a língua oficial do Brasil. Nossos intelectuais politicamente correto o incorporam melhor do que ninguém. Decerto imaginam que estaríamos melhores se sentados ao redor de uma fogueira, morando em casas de palha, e cozinhando em panelas de barro.

Em 2004 a estátua de Cristóvão Colombo foi derrubada em Caracas. O Presidente Venezuelano, Señor Hugo Chávez, chamou o explorador espanhol de "o maior genocida de todos os tempos". Nos delírios que sofrem os acometidos pela doença do esquerdismo os colonizadores dizimaram civilizações avançadíssimas, como os astecas, os maias, e os incas, que teriam deixado os exploradores "impressionados". Os incas ainda praticavam sacrifícios humanos, acreditando que isso acabaria com a raiva do El Niño. A religião maia era centrada na astrologia! E os três eram, admitam, imperialistas.

Outra versão é aquela que afirma que seríamos desenvolvidos se ao invés de colonizados por Portugal tivéssemos como metrópole a Inglaterra. Montam um quadro onde estão os EUA, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia. E escondem a Índia, o Sudão, o Egito.

Há alguns meses um blogue criticou uma nota publicada em outro blogue, o do jornalista do Daily Telegraph David Blair. Ali Mr Blair lamenta os resultados de quatro décadas de independência da África:

Under the British, Tanzania had been Africa's largest exporter of food. By the late 1970s, Tanzania was a collapsing, chaotic shell, where the shops stocked
almost nothing and even toothpaste was virtually unobtainable.


A independência - provavelmente nos diriam - não é um simples ato de ruptura política. Não, é um processo que só será bem sucedido quando formos completamente livres politicamente, economicamente, culturalmente, futebolisticamente, tecnologicamente, militarmente. E isso só será possível por meio de uma revolução. Sim!, bolivariana. Como Señor Chávez na Venezuela e Señor Morales na Bolívia. Deve ser por isso que os livros escolares do MST ensinam a Independência do Brasil escrita entre irônicas aspas.

Quanto a mim, a quem a palavra "revolução" atiça os instintos, serei condenado por lesa-pátria, inimigo do povo. Porque quando vierem me falar sobre os índios massacrados, a destruição da cultura nativa, a cristianização dos gentios, estarei ouvindo Madredeus, lendo Camões e Pessoa do original e dizendo: "É... Valeu a pena"!

domingo, 2 de julho de 2006

A História é uma estória

Minas Gerais, 02 de julho de 2006

Para o perfeito idiota latino-americano a história "é uma bem-sucedida conspiração dos maus contra os bons". Já alertei anteriormente para a questão da obsessão das esquerdas brasileiras e mundias em relação às teorias conspiratórias. Acredite!, já há gente dizendo que o Brasil perdeu para os franceses ontem por culpa da Nike.

Como boa defensora dos bons, a esquerda se esmera em denunciar tais tramas. Vejam o exemplo da revista CartaCapital, por exemplo: a Rede Globo é claramente pró-Alckmin, uma vez que na exibição da minissérie "JK" colocou como maior aliado do tributado Presidente seu Ministro da Fazenda, de nome José Maria Alckmin. Ora, é um conluio que já dura 60 anos!

Venerado pelas esquerdas de todo o mundo em todos os tempos, Karl Marx entendia que "as idéias de uma época são as idéias das classes dominantes". Imbuídos do Complexo de Super-Homem historiadores passaram a reescrever a história a partir de uma visão, conforme Howard Zinn, "popular". Mr Zinn achava que a História dos Estados Unidos era muito centrada nas elites e desconsiderava a visão dos native-american e african-american da mesma. Daí surgiu A People's History of the United States, sem tradução encontrada. Ah, sim: Mr Zinn é marxista.

À esse movimento deu-se o nome "revisionismo". E toda a história foi então revisada. Cristóvão Colombo descobriu a América? E quanto aos milhões de índios que estavam por aqui antes da chegada do genovês? Aliás, como os milhões de índios foram massacrados, torturados, violentados, escravizados, vendidos, tudo em nome da ganância dos colonizadores pelas riquezas naturais da nossa terra, que persiste até hoje (Abaixo a globalização!), nada mais natural do que alguns escritores compararem Colombo a Hitler!

O Brasil também não foi descoberto, foi "conquistado". Veja só, os rebeldes se rendem ao politicamente correto. Presumível, a colonização é a Idade das Luzes para os nacionalistas à direita e à esquerda. Tento manter o post num tamanho "adequado", falo da colonização em outro post.

O czar dos revisionistas atende pelo nome de Eric Hobsbawn. Corra até o livro escolar mais próximo, com certeza o nome dele aparece na bibliografia. Mr Hobsbawn foi bajulado pela imprensa pindorâmica quando esteve presente à Flip como um dos maiores historiadores da atualidade. "Dada a fragilidade a que se submeteram os sistemas comunistas, apenas uma limitada, e até mesmo nominal, uso de coerção armada era necessária para mantê-los de 1957 até 1989". Ele se refere aos 6.300 tanques e 400.000 soldados que Moscou enviou para sufocar a Primavera de Pragua. Mr Hobsbawn também acredita que 20 milhões de mortos são um número "justificável" se isso significasse a implementação do comunismo. Que certamente mataria muitos milhões mais. Justificadamente.

No Brasil o maior revisionista atende pelo nome de Luís Inácio Lula da Silva. Que ao mesmo tempo é o Presidente da República. E candidado à reeleição. O sr. Luís Inácio acha que a História do Brasil até 2003 resumia-se na elite branca paulista carregada em liteiras pelos negros nordestinos mestiços analfabetos trabalhadores marginalizados pelo sistema neoliberal. Tudo isso à espera de Antônio Conselheiro, que pôs "ordem na casa".

O sr. Luís Inácio, não me canso de repetir, também diz que Napoleão esteve na China. E que na Venezuela há "excesso de democracia", como se fosse possível. Não satisfeito, a Excelência ainda declarou que o Gasoduto Sul-Americano é a maior obra a ser construída no mundo em mais de 2000 anos, vencendo de longe o Eurotunel e o Canal do Panamá.

Incontestável é que o Presidente não é um deslumbrado pela História. Sua visão tacanha tem motivações políticas. Acusação semelhante foi feita em editorial do Diario ABC em relação ao Presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero. Señor Zapatero declarou oficialmente que o período mais democrático da História da Espanha foi a Segunda República (1931-1939), anterior à Guerra Civil e o Franquismo. Diz o jornal:

En materia de memoria histórica, por tanto, lo único que el poder político
debería hacer es... promover el estudio de la historia. Al poder podrán
corresponderle en casos flagrantes -el Holocausto, la esclavización en el pasado
de la población africana, las víctimas del comunismo en la Europa del este o del
apartheid en Suráfrica o del franquismo en España (o del terrorismo del IRA y
ETA)- políticas de reconocimiento y compensación del sufrimiento padecido por
determinados grupos humanos en la historia. Lo que no cabe aceptar es el uso
dirigista del pasado desde el poder, la utilización política de la memoria. La
propaganda la escriben los vencedores; la historia la escriben los
historiadores.


O presidente do PSOE, membro da Internacional Socialista, também acredita que a Espanha tem sorte por ter um monarca republicano. O que quer que isso signifique.

A Segunda República Espanhola foi comandada a princípio, veja só!, pelo PSOE. Era a república "unitaria y semisocialista". Reformas de toda a sorte foram implementadas. Dois anos depois a esquerda perdia as eleições para um grupo de centro-direita, que reverteu a maioria das reformas implementadas pelo partidão. No ano seguinte a esquerda organiza um golpe, a Revolución de 1934, sufocada pelas forças militares. Tem início uma série de atentados contra a Igreja Católica espanhola, resultando no assassinato de 6.845 religiosos até o ano de 1939. As esquerdas socialistas e republicanas voltam a se unir na Frente Popular. A divisão do país leva à Guerra Civil Espanhola. Mais de 1 milhão de mortos.

Assim como o governo de Salvador Allende, as Reformas de Base e Leon Trotsky, a República Espanhola teve sucesso porque fracassou. Os socialistas não-marxistas atuais olham para estes períodos com um misto de romantismo e nostalgia enquanto suspiram "Ah, como teria sido!". Cuba, China, URSS, Albânia, Iugoslávia, Romênia etc. podem responder...