Gilles Gomes de Araújo Ferreira
sábado, 24 de fevereiro de 2007
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Once again, the real inconvenient truth
Este é o segundo post dedicado exclusivamente ao aquecimento global. No primeiro, um sem-número de informações técnicas e históricas foram utilizadas com a intenção de convencê-los de que o aumento da temperatura média do planeta não era o soar das trombetas do Apocalipse. Neste talvez as referências científicas sejam menores. Também o primeiro post começava noticiando a birra do Greenpeace em relação às novas luzes do Palácio de Buckingham. Sendo este uma continuação daquele, é apropriado começarmos mais uma vez pela Corte de St. James's.
Há mais de vinte anos o Príncipe Charles é conhecido, em seu reino e fora dele, por suas posições em defesa da ecologia - o que lhe valeu um apelido, Green Prince. No fim de janeiro ele esteve na Filadélfia para, entre outros compromissos, receber o Harvard Club's Global Environmental Citizen Award das mãos de Meryl Streep e Albert Gore. O Ministro do Meio Ambiente, David Milliband, criticou o fato de o Príncipe viajar até os Estados Unidos em um avião. (O próprio Mr Milliband havia viajado para a Índia no mês anterior para receber outro prêmio ambiental e tinha viagem marcada para os EUA) "Por acaso queriam que ele fosse de banana boat?", perguntou em editorial o The Daily Telegraph. Não é absurdo supor que sim. Em nome do messianismo ambiental, organizações defendem o fim do western way of life.
A maioria das pessoas não acredita nas previsões da meteorologia para o dia seguinte. Isso, no entanto, não as impediu de acreditar em previsões que estão sendo feitas para daqui a cem anos. Foi o que aconteceu com o relatório divulgado no começo de fevereiro pelo Intergovernmental Panel for Climate Change, órgão das Nações Unidas. De acordo com a BBC, "as conclusões estavam sendo bastante esperadas porque servirão como referência para toda a comunidade científica mundial". Longe de ser verdade, apenas os arautos do fim do mundo ansiavam pelo documento, a fim de usá-lo como combustível para sua revolução. Eu, por outro lado, beijo as mãos de Luiz Inácio no dia em que a ONU desafiar o consenso.
Como era esperado, jornais do mundo inteiro publicaram acriticamente as conclusões do relatório. No Brasil, ninguém superou O Globo, que dedicou cinco páginas ao tema, com destaque a uma frase do Presidente culpando os ricos por mais esse mal que aflige o mundo. Uma reportagem também afirma que os pobres, mais uma vez, são os que mais vão sofrer com o aumento da temperatura da Terra. Além de um ensaio de luta de classes, é bom lembrar que as medidas apresentadas para conter o aquecimento não são um bálsamo para os miseráveis.
Tomemos como exemplo um lugar-comum dos ambientalistas: o aumento do preço dos combustíveis. Espera-se que isso diminua o uso da gasolina e do diesel, combustíveis fósseis e grandes produtores de dióxido de carbono. Na prática, milhões de pessoas estarão condenadas a andar a pés - se alguém pensou em carroças, o PETA lembra que "os animais são os escravos do mundo moderno" - e deixar de lado o aquecimento de suas casas.
Organizações ecológicas por vezes não permitem que investimentos sejam feitos em países de terceiro mundo, impedindo o desenvolvimento e forçando suas populações a permanecer no século XVIII. E há também as viagens aéreas, que motivaram as críticas ao Príncipe de Gales e fizeram das companhias aéreas as novas vilãs de Utopia, depois do Wal-Mart. Ecologistas acreditam que os aviões deixam um rastro de água e gelo em sua trajetória, aprisionando o calor que escapa para o espaço. Sim, H2O contribui para o aquecimento global.
A líder do IPCC, Susan Solomon, afirmou em entrevista coletiva há alguns dias que "o texto resultante foi fruto de um trabalho científico aprimorado e não de uma vontade política para elevar o tom de alarme, como muita gente tem sugerido nas últimas semanas". Dr Cristopher Landsea, da União Geofísica Americana, da Sociedade Meteorológica Americana e há pelo menos dez anos o maior especialista em furacões do mundo, discorda. Em 2005 ele deixou o grupo alegando que os trabalhos eram "motivados por agendas pré-concebidas" e estavam assumindo uma "posição política".

Outro especialista, Dr Paul Reiter, do Instituto Pasteur, não acredita que o aquecimento global possa aumentar o número de casos de malária no mundo. Sua participação na elaboração do relatório foi vetada. A mesma opinião é defendida pela Câmara dos Lordes, que declarou que as previsões e documentos estavam "aparentemente influenciados por considerações políticas".
Se você lê a Folha de S. Paulo deve ter lido que "o relatório publicado tem um tom mais forte em relação a sua versão anterior, de 2001". Se você, por outro lado, lê o The Wall Street Journal, sabe que não é bem assim.
Nos anos oitenta a Agência de Proteção Ambiental Americana previu um aumento de "muitos metros" no nível dos oceanos até 2100. Em 2001 as Nações Unidas anunciaram que até o fim do século o aumento seria de 90 centímetros. No relatório atual a previsão cai para 43 centímetros. No século passado os oceanos subiram quase a metade disso, e a civilização não foi à ruína.
O próprio IPCC afirma que os estudos de 2001 superestimaram a influência da atividade humana na mudança climática em 35%. Em 2001 os cientistas previram que a temperatura da Terra aumentaria nos anos seguintes. O Centro Nacional de Estudos Climáticos dos Estados Unidos mostra que em 2006 o planeta esteve apenas 0,03 ºC mais quente do que em 2001 - "dentro da margem de erro, logo insignificante estatisticamente", observa o WSJ.
A temperatura dos oceanos também deveria ter aumentado, mas o oposto tem ocorrido desde 2003. E o IPCC admite que furacões mais fortes e mais freqüentes não serão resultado do aquecimento global. Por outro lado, ele não explica por quê, entre 1940 e 1975 a temperatura média da Terra caiu enquanto aumentava a emissão de dióxido de carbono.
Talvez você nunca tenha ouvido falar em Henrik Svensmrk, do Centro Espacial Nacional Dinamarquês. Enquanto a ONU exibia seu relatório ao som de trompetes e clarins, ele publicava estudo atribuindo aos raios cósmicos a responsabilidade pelo aquecimento global. Ao atingir a atmosfera, os raios criam íons, partículas eletricamente carregadas. Os íons atraem moléculas de água presentes no ar, causando sua aglomeração. O vapor de água se condensa, formando nuvens.
"Acreditávamos que as nuvens eram causadas pelo aquecimento global. Agora sabemos que o que acontece é o contrário", afirma. "Isso não tem sido levado em conta. Estamos lidando com a maior atividade solar dos últimos mil anos". Ora, as calotas polares de Marte também derretem há anos, e não há queima de carvão, automóveis ou indústrias no Planeta Vermelho.
E não é preciso sentir-se culpado pela situação do urso ao lado. Segundo pesquisas divulgadas no começo de fevereiro por cientistas situados na Antártida revela que o gelo que se solta do continente em direção ao oceano obedece às fases da Lua.
Antes de perguntar por quê tanta histeria, é preciso perguntar para quê serve essa crença dogmática no fim do mundo. Serve para Beverly Hills aliviar a consciência. Alguém se lembra do Live Aid? E do Live 8? Pois foi anunciado um megaconcerto em nome do combate ao aquecimento global, que acontecerá em diversas partes do globo, até na Antártida. Isso se ninguém reclamar que o som das guitarras interfere no ritual de acasalamento de pingüins. Serve ainda para ressucitar cadáveres - hei, Mr Gore. Serve para políticos ganharem votos e posarem de estadistas. E serve principalmente para tornar real um desejo sempre presente de certa esquerda: fazer com que o Estado ensine a virtu ao povo.
Sob a manchete "Motoristas ficarão vermelhos se não escolherem um carro verde", o The Times informa hoje que "o Governo espera constranger os motoristas para fazê-los escolher carros menos poluentes, em uma campanha projetada para diminuir a emissão de dióxido de carbono". Abrigados sob o manto da proteção ambiental muitos ativistas estão propondo medidas que já defendiam há trinta anos, quando a Newsweek publicava que "o clima da Terra parece estar se resfriando" e a Science alertava que "quando o congelamento começar, será muito tarde". Um exemplo? O controle de natalidade.
No começo do ano cientistas ingleses anunciaram que este seria o ano mais quente da História. A culpa, evidentemente, era do aquecimento global. Em 9 de fevereiro, era manchete no The Daily Telegraph: "Esqueça o aquecimento global - aí vem o inverno". Escolas fechadas, estradas
interditadas, vôos cancelados. Mais de 15 centímetros de neve nas ruas de Londres. A quantidade de neve que caiu na cidade pôde ser comparável à que cai nas partes mais frias da Escócia, no norte da ilha.
Nevascas também atingiram a Alemanha, a Espanha, e até Portugal. Lisboa teve neve pela primeira vez em 24 anos. Em alguns lugares da Europa a temperatura chegou a 30 ºC negativos. Temperaturas baixas também foram observadas nos Estados Unidos. Em várias regiões os termômetros registraram temperaturas inferiores a 40 ºC negativos. Neve caiu sobre Malibu, famosa pelo sol quente e praias, e até no desértico Arizona, na fronteira com o México. Mais de 30 centímetros de neve se acumularam sobre a capital, Tucson, no sul do Estado.
Curiosamente, a responsabilidade pelo inverno rigoroso também caiu sobre o aquecimento global. Não importa qual seja o efeito. As causas são sempre as mesmas.
Há mais de vinte anos o Príncipe Charles é conhecido, em seu reino e fora dele, por suas posições em defesa da ecologia - o que lhe valeu um apelido, Green Prince. No fim de janeiro ele esteve na Filadélfia para, entre outros compromissos, receber o Harvard Club's Global Environmental Citizen Award das mãos de Meryl Streep e Albert Gore. O Ministro do Meio Ambiente, David Milliband, criticou o fato de o Príncipe viajar até os Estados Unidos em um avião. (O próprio Mr Milliband havia viajado para a Índia no mês anterior para receber outro prêmio ambiental e tinha viagem marcada para os EUA) "Por acaso queriam que ele fosse de banana boat?", perguntou em editorial o The Daily Telegraph. Não é absurdo supor que sim. Em nome do messianismo ambiental, organizações defendem o fim do western way of life.A maioria das pessoas não acredita nas previsões da meteorologia para o dia seguinte. Isso, no entanto, não as impediu de acreditar em previsões que estão sendo feitas para daqui a cem anos. Foi o que aconteceu com o relatório divulgado no começo de fevereiro pelo Intergovernmental Panel for Climate Change, órgão das Nações Unidas. De acordo com a BBC, "as conclusões estavam sendo bastante esperadas porque servirão como referência para toda a comunidade científica mundial". Longe de ser verdade, apenas os arautos do fim do mundo ansiavam pelo documento, a fim de usá-lo como combustível para sua revolução. Eu, por outro lado, beijo as mãos de Luiz Inácio no dia em que a ONU desafiar o consenso.
Como era esperado, jornais do mundo inteiro publicaram acriticamente as conclusões do relatório. No Brasil, ninguém superou O Globo, que dedicou cinco páginas ao tema, com destaque a uma frase do Presidente culpando os ricos por mais esse mal que aflige o mundo. Uma reportagem também afirma que os pobres, mais uma vez, são os que mais vão sofrer com o aumento da temperatura da Terra. Além de um ensaio de luta de classes, é bom lembrar que as medidas apresentadas para conter o aquecimento não são um bálsamo para os miseráveis.
Tomemos como exemplo um lugar-comum dos ambientalistas: o aumento do preço dos combustíveis. Espera-se que isso diminua o uso da gasolina e do diesel, combustíveis fósseis e grandes produtores de dióxido de carbono. Na prática, milhões de pessoas estarão condenadas a andar a pés - se alguém pensou em carroças, o PETA lembra que "os animais são os escravos do mundo moderno" - e deixar de lado o aquecimento de suas casas.
Organizações ecológicas por vezes não permitem que investimentos sejam feitos em países de terceiro mundo, impedindo o desenvolvimento e forçando suas populações a permanecer no século XVIII. E há também as viagens aéreas, que motivaram as críticas ao Príncipe de Gales e fizeram das companhias aéreas as novas vilãs de Utopia, depois do Wal-Mart. Ecologistas acreditam que os aviões deixam um rastro de água e gelo em sua trajetória, aprisionando o calor que escapa para o espaço. Sim, H2O contribui para o aquecimento global.
A líder do IPCC, Susan Solomon, afirmou em entrevista coletiva há alguns dias que "o texto resultante foi fruto de um trabalho científico aprimorado e não de uma vontade política para elevar o tom de alarme, como muita gente tem sugerido nas últimas semanas". Dr Cristopher Landsea, da União Geofísica Americana, da Sociedade Meteorológica Americana e há pelo menos dez anos o maior especialista em furacões do mundo, discorda. Em 2005 ele deixou o grupo alegando que os trabalhos eram "motivados por agendas pré-concebidas" e estavam assumindo uma "posição política".

Outro especialista, Dr Paul Reiter, do Instituto Pasteur, não acredita que o aquecimento global possa aumentar o número de casos de malária no mundo. Sua participação na elaboração do relatório foi vetada. A mesma opinião é defendida pela Câmara dos Lordes, que declarou que as previsões e documentos estavam "aparentemente influenciados por considerações políticas".
Se você lê a Folha de S. Paulo deve ter lido que "o relatório publicado tem um tom mais forte em relação a sua versão anterior, de 2001". Se você, por outro lado, lê o The Wall Street Journal, sabe que não é bem assim.
Nos anos oitenta a Agência de Proteção Ambiental Americana previu um aumento de "muitos metros" no nível dos oceanos até 2100. Em 2001 as Nações Unidas anunciaram que até o fim do século o aumento seria de 90 centímetros. No relatório atual a previsão cai para 43 centímetros. No século passado os oceanos subiram quase a metade disso, e a civilização não foi à ruína.
O próprio IPCC afirma que os estudos de 2001 superestimaram a influência da atividade humana na mudança climática em 35%. Em 2001 os cientistas previram que a temperatura da Terra aumentaria nos anos seguintes. O Centro Nacional de Estudos Climáticos dos Estados Unidos mostra que em 2006 o planeta esteve apenas 0,03 ºC mais quente do que em 2001 - "dentro da margem de erro, logo insignificante estatisticamente", observa o WSJ.
A temperatura dos oceanos também deveria ter aumentado, mas o oposto tem ocorrido desde 2003. E o IPCC admite que furacões mais fortes e mais freqüentes não serão resultado do aquecimento global. Por outro lado, ele não explica por quê, entre 1940 e 1975 a temperatura média da Terra caiu enquanto aumentava a emissão de dióxido de carbono.
Talvez você nunca tenha ouvido falar em Henrik Svensmrk, do Centro Espacial Nacional Dinamarquês. Enquanto a ONU exibia seu relatório ao som de trompetes e clarins, ele publicava estudo atribuindo aos raios cósmicos a responsabilidade pelo aquecimento global. Ao atingir a atmosfera, os raios criam íons, partículas eletricamente carregadas. Os íons atraem moléculas de água presentes no ar, causando sua aglomeração. O vapor de água se condensa, formando nuvens.
"Acreditávamos que as nuvens eram causadas pelo aquecimento global. Agora sabemos que o que acontece é o contrário", afirma. "Isso não tem sido levado em conta. Estamos lidando com a maior atividade solar dos últimos mil anos". Ora, as calotas polares de Marte também derretem há anos, e não há queima de carvão, automóveis ou indústrias no Planeta Vermelho.
Antes de perguntar por quê tanta histeria, é preciso perguntar para quê serve essa crença dogmática no fim do mundo. Serve para Beverly Hills aliviar a consciência. Alguém se lembra do Live Aid? E do Live 8? Pois foi anunciado um megaconcerto em nome do combate ao aquecimento global, que acontecerá em diversas partes do globo, até na Antártida. Isso se ninguém reclamar que o som das guitarras interfere no ritual de acasalamento de pingüins. Serve ainda para ressucitar cadáveres - hei, Mr Gore. Serve para políticos ganharem votos e posarem de estadistas. E serve principalmente para tornar real um desejo sempre presente de certa esquerda: fazer com que o Estado ensine a virtu ao povo.
Sob a manchete "Motoristas ficarão vermelhos se não escolherem um carro verde", o The Times informa hoje que "o Governo espera constranger os motoristas para fazê-los escolher carros menos poluentes, em uma campanha projetada para diminuir a emissão de dióxido de carbono". Abrigados sob o manto da proteção ambiental muitos ativistas estão propondo medidas que já defendiam há trinta anos, quando a Newsweek publicava que "o clima da Terra parece estar se resfriando" e a Science alertava que "quando o congelamento começar, será muito tarde". Um exemplo? O controle de natalidade.
No começo do ano cientistas ingleses anunciaram que este seria o ano mais quente da História. A culpa, evidentemente, era do aquecimento global. Em 9 de fevereiro, era manchete no The Daily Telegraph: "Esqueça o aquecimento global - aí vem o inverno". Escolas fechadas, estradas
interditadas, vôos cancelados. Mais de 15 centímetros de neve nas ruas de Londres. A quantidade de neve que caiu na cidade pôde ser comparável à que cai nas partes mais frias da Escócia, no norte da ilha.Nevascas também atingiram a Alemanha, a Espanha, e até Portugal. Lisboa teve neve pela primeira vez em 24 anos. Em alguns lugares da Europa a temperatura chegou a 30 ºC negativos. Temperaturas baixas também foram observadas nos Estados Unidos. Em várias regiões os termômetros registraram temperaturas inferiores a 40 ºC negativos. Neve caiu sobre Malibu, famosa pelo sol quente e praias, e até no desértico Arizona, na fronteira com o México. Mais de 30 centímetros de neve se acumularam sobre a capital, Tucson, no sul do Estado.
Curiosamente, a responsabilidade pelo inverno rigoroso também caiu sobre o aquecimento global. Não importa qual seja o efeito. As causas são sempre as mesmas.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Você não vai ver na televisão
A representação de jovens mulheres como objetos sexuais na mídia, prejudica a saúde mental de adolescentes, dizem especialistas americanos.A sexualização - que, segundo a associação, ocorre quando uma pessoa é vista como um objeto sexual e quando alguém é valorizado apenas por seu apelo ou comportamento sexual - pode levar à perda de auto-estima, depressão e anorexia.
Da BBC.
Da BBC.
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Pra começar...
Do site do jornalista Cláudio Humberto:
O presidente Lula decidiu enviar uma proposta de emenda constitucional ao Congresso proibindo que estrangeiros possam adquirir terras no Brasil. Sua decisão tem a ver com o projeto do biodiesel, baseado em fonte renovável e ambientalmente aceita, que ele considera o futuro dos combustíveis. O que Lula não sabe é que para fazer isso deve mudar o artigo 5º, uma cláusula pétrea na Constituição Federal. Ou seja, deve ser criada outra Constituição.
O presidente Lula decidiu enviar uma proposta de emenda constitucional ao Congresso proibindo que estrangeiros possam adquirir terras no Brasil. Sua decisão tem a ver com o projeto do biodiesel, baseado em fonte renovável e ambientalmente aceita, que ele considera o futuro dos combustíveis. O que Lula não sabe é que para fazer isso deve mudar o artigo 5º, uma cláusula pétrea na Constituição Federal. Ou seja, deve ser criada outra Constituição.Aprovada e promulgada, a possível PEC abrirá caminho para a desapropriação de extensas áreas hoje pertencentes a estrangeiros.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Sobre heróis e vilões

Das páginas da Folha de S. Paulo:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem a líderes de sua base no Congresso que derrubem o debate sobre a redução da maioridade penal. Para ele, a redução da idade mínima para punições penais, hoje em 18 anos, pode "desproteger os adolescentes".
E agora, quem poderá nos defender?
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Império do Brasil

O também mineiro Geovani Németh-Torres mantém há alguns dias o melhor blogue dedicado à causa monárquica. Recomendado.
Link: Império do Brasil
Link: Império do Brasil
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
domingo, 28 de janeiro de 2007
A literatura em perigo | Vasco Graça Moura
Comprei há dias em Estrasburgo um pequeno ensaio de Tzvetan Todorov intitulado La littérature en péril (Paris, Flammarion, 2007), que acabou de sair e cuja leitura recomendo a quantos se interessam pelas questões do ensino da literatura, muito em especial no secundário.
Todorov, que colaborou desde 1966 com Roland Barthes e Gérard Genette, afigura-se hoje, e pelo menos neste seu texto, muito mitigadamente ligado ao estruturalismo, embora não o renegue.

Em La littérature en péril ele parte do princípio de que o que interessa para a generalidade dos leitores é fundamentalmente a compreensão do sentido das obras literárias, sendo para essa compreensão que devem ser proporcionadas as abordagens adequadas na escola. Isto porque cada obra tem um sentido portador de modalidades insubstituíveis de compreensão do mundo e de nós mesmos, ao veicular experiências singulares e criar personagens na diversidade do vivido que tornam possível um enquadramento e um conhecimento mais profundos da realidade humana nas suas múltiplas dimensões. Ora, como ele diz, os grandes autores ensinam-nos pelo menos tanto sobre a condição humana como os maiores sociólogos, psicólogos e filósofos.
A proliferação de análises radicadas nos mais diversos pressupostos teóricos acarreta uma grande distorção quanto a esse objectivo. Os programas escolares exigem aos alunos, não propriamente o conhecimento das obras, mas antes o das teorias, métodos, classificações e instrumentos analíticos, de tal modo que eles têm de aprender a captar, não o sentido de determinada obra ou a vibração existencial que ela provoca ao desvendar-se na leitura, mas uma determinada grelha de análise dela, e esta imposição contribui em grande medida para gerar um desinteresse generalizado e crescente em relação à literatura.
Todorov faz um lúcido bosquejo da evolução da estética a partir do século XVII, percorre várias construções teóricas (desconstrucionismo, estruturalismo "clássico", pós-estruturalismo, etc.) que negam ser a literatura um discurso sobre o mundo, ou que afastam a hipótese de verdade dos textos, ou que rejeitam a possibilidade de verificação dela, e, embora protestando não denegrir disciplinas como a semiótica, a pragmática, a retórica e a poética, interroga-se sobre se "é preciso fazer delas a principal matéria estudada na escola", uma vez que "todos esses objectos de conhecimento são construções abstractas, forjadas pela análise literária para abordar as obras; nenhum respeita àquilo de que falam as obras propriamente ditas, o seu sentido, o mundo que elas evocam". E por isso "a análise das obras na escola não deveria mais ter por finalidade ilustrar os conceitos que acaba de introduzir este ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, mas fazer-nos aceder a todos ao sentido delas, que nos conduz a um conhecimento do humano que a todos importa".
Sendo assim, Todorov propõe que o ensino volte a recentrar-se nos textos, uma vez que os instrumentos teóricos não passam de meios de acesso, que até podem ser úteis, mas cujo estudo "nunca se deve substituir ao do sentido, que é a sua finalidade".
Não basta, escreve ainda, a estrita abordagem interna de um texto, porque as obras existem sempre num contexto e em diálogo com ele. "Em regra, o leitor não profissional (...) lê essas obras, não para dominar melhor um método de leitura, nem para dele extrair informações sobre as sociedades em que elas foram criadas, mas para nelas encontrar um sentido que lhe permita compreender melhor o homem e o mundo, para nelas descobrir uma beleza que enriqueça a sua existência; fazendo-o, compreende-se melhor a si mesmo. O conhecimento da literatura não é um fim em si, mas uma das estradas reais que conduzem à realização de cada um." Ora o ensino volta as costas a este caminho... "Porquê estudar a literatura se ela não passa da ilustração dos meios necessários para a sua análise?" E ainda: "O ensino secundário, que não se dirige aos especialistas da literatura, mas a todos, não pode ter o mesmo objecto [do ensino superior]: é a literatura propriamente dita que é destinada a todos, não os estudos literários." Por fim, a grande questão: "E ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust, não é beneficiar de um ensino excepcional?"
Percorre-se este conjunto de tópicos e também não se pode deixar de perguntar: em que país bem nosso conhecido é que estas ideias são tão necessárias como o pão para a boca?
Todorov, que colaborou desde 1966 com Roland Barthes e Gérard Genette, afigura-se hoje, e pelo menos neste seu texto, muito mitigadamente ligado ao estruturalismo, embora não o renegue.

Em La littérature en péril ele parte do princípio de que o que interessa para a generalidade dos leitores é fundamentalmente a compreensão do sentido das obras literárias, sendo para essa compreensão que devem ser proporcionadas as abordagens adequadas na escola. Isto porque cada obra tem um sentido portador de modalidades insubstituíveis de compreensão do mundo e de nós mesmos, ao veicular experiências singulares e criar personagens na diversidade do vivido que tornam possível um enquadramento e um conhecimento mais profundos da realidade humana nas suas múltiplas dimensões. Ora, como ele diz, os grandes autores ensinam-nos pelo menos tanto sobre a condição humana como os maiores sociólogos, psicólogos e filósofos.
A proliferação de análises radicadas nos mais diversos pressupostos teóricos acarreta uma grande distorção quanto a esse objectivo. Os programas escolares exigem aos alunos, não propriamente o conhecimento das obras, mas antes o das teorias, métodos, classificações e instrumentos analíticos, de tal modo que eles têm de aprender a captar, não o sentido de determinada obra ou a vibração existencial que ela provoca ao desvendar-se na leitura, mas uma determinada grelha de análise dela, e esta imposição contribui em grande medida para gerar um desinteresse generalizado e crescente em relação à literatura.
Todorov faz um lúcido bosquejo da evolução da estética a partir do século XVII, percorre várias construções teóricas (desconstrucionismo, estruturalismo "clássico", pós-estruturalismo, etc.) que negam ser a literatura um discurso sobre o mundo, ou que afastam a hipótese de verdade dos textos, ou que rejeitam a possibilidade de verificação dela, e, embora protestando não denegrir disciplinas como a semiótica, a pragmática, a retórica e a poética, interroga-se sobre se "é preciso fazer delas a principal matéria estudada na escola", uma vez que "todos esses objectos de conhecimento são construções abstractas, forjadas pela análise literária para abordar as obras; nenhum respeita àquilo de que falam as obras propriamente ditas, o seu sentido, o mundo que elas evocam". E por isso "a análise das obras na escola não deveria mais ter por finalidade ilustrar os conceitos que acaba de introduzir este ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, mas fazer-nos aceder a todos ao sentido delas, que nos conduz a um conhecimento do humano que a todos importa".
Sendo assim, Todorov propõe que o ensino volte a recentrar-se nos textos, uma vez que os instrumentos teóricos não passam de meios de acesso, que até podem ser úteis, mas cujo estudo "nunca se deve substituir ao do sentido, que é a sua finalidade".
Não basta, escreve ainda, a estrita abordagem interna de um texto, porque as obras existem sempre num contexto e em diálogo com ele. "Em regra, o leitor não profissional (...) lê essas obras, não para dominar melhor um método de leitura, nem para dele extrair informações sobre as sociedades em que elas foram criadas, mas para nelas encontrar um sentido que lhe permita compreender melhor o homem e o mundo, para nelas descobrir uma beleza que enriqueça a sua existência; fazendo-o, compreende-se melhor a si mesmo. O conhecimento da literatura não é um fim em si, mas uma das estradas reais que conduzem à realização de cada um." Ora o ensino volta as costas a este caminho... "Porquê estudar a literatura se ela não passa da ilustração dos meios necessários para a sua análise?" E ainda: "O ensino secundário, que não se dirige aos especialistas da literatura, mas a todos, não pode ter o mesmo objecto [do ensino superior]: é a literatura propriamente dita que é destinada a todos, não os estudos literários." Por fim, a grande questão: "E ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust, não é beneficiar de um ensino excepcional?"
Percorre-se este conjunto de tópicos e também não se pode deixar de perguntar: em que país bem nosso conhecido é que estas ideias são tão necessárias como o pão para a boca?
domingo, 14 de janeiro de 2007
Poucas Notas
Em dezembro passado um oficial acusado de corrupção acusou o Príncipe Laurent, filho caçula do Rei Albert II dos Belgas, de fazer parte de um esquema que desviou dois milhões de euros dos cofres da Marinha. Situação reprovável, mas não inédita: Chelsea Clinton, única filha do ex-Presidente dos Estados Unidos William Clinton, deixou a universidade com um diploma em História e um salário de seis dígitos em uma consultoria financeira; Kojo Annan, filho do ex-Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan, esteve envolvido no escândalo de corrupção do extinto Programa Petróleo por Comida; e claro, há Fábio Luiz da Silva, símbolo máximo do "espetáculo do crescimento" petista, que em quatro anos foi catapultado de um zoológico à sociedade de uma empresa milionária com parceria com empresas públicas.
Mas houve um significativo ineditismo neste acontecimento, desempenhado não pelo protagonista, mas por quem esteve alheio ao caso: no domingo 24, em sua tradicional mensagem natalina, o Rei Albert frisou que "ninguém está acima da lei e a Justiça deve trabalhar com total independência". Era uma mensagem clara ao descendente infeliz, ou assim foi interpretado pelos jornais. O monarca exigiu ainda que Laurent ressarça os cofres públicos, ainda que seja inocentado pelo Judiciário. "É justo que a reparação envolva todos os que se beneficiaram do esquema", nas palavras dele.
De acordo com o espanhol El Mundo, os promotores acreditam que o Príncipe não sabia da origem escusa do dinheiro, e que as acusações fazem parte de uma estratégia dos investigados para desviar o rumo dos inquéritos.
Em editorial, o La Libre Belgique ressaltou a "coragem" de Albert II ao censurar publicamente o filho, lembrando que "o exemplo deve vir de cima". De linha opinativa tradicionalista, o La Libre Belgique repete um dos argumentos centrais do monarquismo: ainda que não disponham de poderes políticos diretos, os soberanos dispõem de ascendência moral sobre seus cidadãos e servidores públicos. Nesse sentido foi a manchete do jornal popular Le Derniere Heure, que afirmou que a mensagem também censurava a classe política pelos sucessivos escândalos de corrupção.
Em 2005, enquanto corria a CPMI dos Correios, o jornal O Globo lembrou uma passagem da
História do Brasil em que uma graduada autoridade pública argumentava que não podia indicar o irmão para uma função governamental porque temia o julgamento do Imperador. Dom Pedro II anotava todos os desvios de conduta, e manifestava objeções quando eram sugeridas promoções a algum improbo. Com um lápis azul, ele sublinhava os nomes de quem não considerava apto para lidar com o dinheiro público. Ainda que não tivesse importância legal, poucos duvidavam do seu julgamento.
Nas palavras de um republicano arrependido, Rui Barbosa, em discurso no Senado Federal em 1914,
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Aqueles que acompanham o blogue há algum tempo vão se lembrar de um post que tratava dos
excessos de alguns defensores de animais. O assunto central era o projeto de lei elaborado pelo Partido Socialista Obrero Español que estendia aos primatas as leis de defesa dos direitos humanos.
Os socialistas espanhóis sempre encontraram refúgio do outro lado da Mancha. Os trabalhistas britânicos foram os únicos que apoiaram as negociações com o ETA, e os dois partidos compartilham idéias sobre multiculturalismo, religião, economia, política social e direitos humanos.
O Finantial Times publicou matéria em que afirma que um relatório do Governo britânico prevê que robôs devem gozar das leis de defesa dos direitos humanos. Sir David King, que apresentou o projeto, elenca alguns deles, como auxílio de complementação de renda, auxílio moradia e um sistema de saúde para robôs.
Sir David considera o aquecimento global "o mais grave problema da atualidade - mais grave até do que o terrorismo".
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O politicamente correto é o refúgio dos que se abstém de usar a razão, por covardia ou inaptidão para tal exercício. É deveras fácil esconder-se atrás de premissas previamente aceitas, ascendendo ao clube dos bem-intencionados.
Não lembro quem disse que a direita venceu a guerra econômica e perdeu a guerra cultural, mas o que importa é que estava certo. Qualquer observador atento percebe que fariseus conquistaram os jornais, o cinema, a música e a televisão. O politicamente correto é parte desta estratégia. Surgiu na década de 1970 criado por intelectuais maoístas que intentavam desacreditar princípios que consideravam ortodoxos.

A Rede Globo comprou a briga do aquecimento global. Agora o Fantástico e os telejornais repetem à exaustão que o fim do mundo está virando a esquina, graças à ambição, à ganância e a Coca-Cola.
O conservador jornalista Peregrine Worsthorne acredita que é preciso reexaminar o liberalismo nos moldes do que ocorreu à cristandade no século XVIII. Em junho do ano passado, em discurso em um dos mais tradicionais clubes conservadores, o Atheneaum Club, Sir Peregrine citou como exemplo a liberdade de imprensa. "O argumento liberal para a importância da liberdade de imprensa era que isso dava aos eleitores informação necessária para votar inteligentemente"; a maioria dos jornais, no entanto, "prefere a informação deturpada ou até mesmo a desinformação". No caso brasileiro, isso fica latente.
Nenhuma mídia se preocupou em contestar o raciocínio dos mensageiros do apocalipse, nem em garantir espaço a quem se predispôs a fazê-lo. Nem mesmo a imprensa "de direita" - leia-se, Estado de S. Paulo e Veja. Quando muito, informam au passant que há cientistas que não concordam com a suposição; pior fez o Fantástico, cujo repórter afirmou que "até quem não acreditava" passou a adotar medidas que visam amenizar as mudanças climáticas.
Como o desarmamento há dois anos, a batalha contra o aquecimento global é vendida como condição sine qua non para a salvação. E os fariseus continuam ganhando a guerra.
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No apagar das luzes de 2006 o Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acusou promotores e procuradores de usarem a instituição para fazer política partidária. Segundo o Ministro, 80% das denúncias de improbidade são desconsideradas pela Corte, por falta de provas e de base legal. Desde que o Partido chegou ao poder, sumiram dos jornais notícias dando conta de que “o Ministério Público abriu inquérito para investigar denúncia”, bem como os procuradores pop-star, e boa parte do jornalismo investigativo.
Agora o Ministério Público volta às manchetes. Acusa o Deputado Federal Raul Jungmann (PPS-PE) de desvio de dinheiro público à época em que foi Ministro do Desenvolvimento Agrário no governo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. É pouco crível a idéia de que não há motivação política em uma denúncia feita seis anos depois de Jungmann deixar o Executivo. Ainda mais se levarmos em consideração que o nome do Deputado aparecia com freqüência quando era sugerida uma terceira opção para a Presidência da Câmara.
O que desperta interesse nesse assunto, por outro lado, é a maneira como “formadores de opinião” se apressaram em apresentar panos quentes. Em jornais e blogues, diversas vozes se levantaram para defender o Deputado, transformado, junto com Fernando Gabeira (PV-RJ), em guardião da moralidade pública.
Não é a primeira vez que a imprensa elege “intocáveis”. Também não é a primeira vez que erram na escolha. Enquanto Ministro, Jungmann adotou medidas que podem ser consideradas, no mínimo, suspeitas. Uma rápida procura em arquivos de jornais é suficiente para estimular a memória.
No final de outubro de 2001, para citar um exemplo, o então Ministro do Desenvolvimento Agrário contratou uma empresa de publicidade para gastar R$ 2,7 milhões até dezembro do mesmo ano. Sem licitação. Nesse ano, os gastos do Ministério com comunicação aumentaram 66,32% em relação ao ano anterior, e em 2002 o aumento foi um pouco menor, 31,35%.
Também em 2002, Jungmann lançou-se candidato à Presidência da República. Dias depois, utilizou a máquina pública para apresentar ao eleitorado um balanço de sua gestão. “Acabamos com a corrupção, com os funcionários fantasmas e com o nepotismo. (...) E um sonho de paz no campo é um sonho de paz para todos nós, nas cidades ou em qualquer lugar. E nós estamos construindo isso”. A Folha de S. Paulo publicaria ainda que os números de assentamentos foram inflados, contabilizando áreas que só existem nos documentos e terrenos vazios. O Incra admitiu que os números foram alterados.
Ciente do poder da informação e da notícia, Raul Jungmann tornou-se amigo de jornalistas, e até mesmo os mais conservadores parecem seduzidos pela “falasofia” esquerdista do pernambucano. Outro político, José Roberto Arruda, atual Governador do Distrito Federal, também foi incensado por certa mídia no ano passado e apresentado como baluarte dos bons costumes, apagando do seu histórico a participação na famigerada violação do painel do Senado Federal.
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Em tempo: apenas os desavisados podem alegar surpresa diante da adesão dos tucanos à candidatura do petista Arlindo Chinaglia (PT-SP). Em junho do ano passado o jornalista Jorge Bastos Moreno, em seu blogue e em sua coluna no jornal O Globo, revelou que lideranças dos dois maiores partidos da esquerda brasileira estavam articulando "um governo de coalizão para 2007", não importando o resultado da eleição presidencial. Moreno afirmava, à época, que poucos acreditariam naquela informação, e lembrou o exemplo do jornalista Carlos Marchi, do Jornal do Brasil, que também noticiou as negociações que levaram à formação da aliança entre o então Governador de Minas Gerais Tancredo Neves e dissidentes do PDS.

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“A tendência do intelectual é ser de direita. Ele é por definição um elitista”.
Paulo Francis
Mas houve um significativo ineditismo neste acontecimento, desempenhado não pelo protagonista, mas por quem esteve alheio ao caso: no domingo 24, em sua tradicional mensagem natalina, o Rei Albert frisou que "ninguém está acima da lei e a Justiça deve trabalhar com total independência". Era uma mensagem clara ao descendente infeliz, ou assim foi interpretado pelos jornais. O monarca exigiu ainda que Laurent ressarça os cofres públicos, ainda que seja inocentado pelo Judiciário. "É justo que a reparação envolva todos os que se beneficiaram do esquema", nas palavras dele.De acordo com o espanhol El Mundo, os promotores acreditam que o Príncipe não sabia da origem escusa do dinheiro, e que as acusações fazem parte de uma estratégia dos investigados para desviar o rumo dos inquéritos.
Em editorial, o La Libre Belgique ressaltou a "coragem" de Albert II ao censurar publicamente o filho, lembrando que "o exemplo deve vir de cima". De linha opinativa tradicionalista, o La Libre Belgique repete um dos argumentos centrais do monarquismo: ainda que não disponham de poderes políticos diretos, os soberanos dispõem de ascendência moral sobre seus cidadãos e servidores públicos. Nesse sentido foi a manchete do jornal popular Le Derniere Heure, que afirmou que a mensagem também censurava a classe política pelos sucessivos escândalos de corrupção.
Em 2005, enquanto corria a CPMI dos Correios, o jornal O Globo lembrou uma passagem da
História do Brasil em que uma graduada autoridade pública argumentava que não podia indicar o irmão para uma função governamental porque temia o julgamento do Imperador. Dom Pedro II anotava todos os desvios de conduta, e manifestava objeções quando eram sugeridas promoções a algum improbo. Com um lápis azul, ele sublinhava os nomes de quem não considerava apto para lidar com o dinheiro público. Ainda que não tivesse importância legal, poucos duvidavam do seu julgamento.Nas palavras de um republicano arrependido, Rui Barbosa, em discurso no Senado Federal em 1914,
No outro regime [a Monarquia], o homem que tinha uma certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre - as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia um sentinela vigilante, cuja severidade todos temiam, e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade. Era o Imperador Dom Pedro II.
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Aqueles que acompanham o blogue há algum tempo vão se lembrar de um post que tratava dos
excessos de alguns defensores de animais. O assunto central era o projeto de lei elaborado pelo Partido Socialista Obrero Español que estendia aos primatas as leis de defesa dos direitos humanos.Os socialistas espanhóis sempre encontraram refúgio do outro lado da Mancha. Os trabalhistas britânicos foram os únicos que apoiaram as negociações com o ETA, e os dois partidos compartilham idéias sobre multiculturalismo, religião, economia, política social e direitos humanos.
O Finantial Times publicou matéria em que afirma que um relatório do Governo britânico prevê que robôs devem gozar das leis de defesa dos direitos humanos. Sir David King, que apresentou o projeto, elenca alguns deles, como auxílio de complementação de renda, auxílio moradia e um sistema de saúde para robôs.
Sir David considera o aquecimento global "o mais grave problema da atualidade - mais grave até do que o terrorismo".
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O politicamente correto é o refúgio dos que se abstém de usar a razão, por covardia ou inaptidão para tal exercício. É deveras fácil esconder-se atrás de premissas previamente aceitas, ascendendo ao clube dos bem-intencionados.
Não lembro quem disse que a direita venceu a guerra econômica e perdeu a guerra cultural, mas o que importa é que estava certo. Qualquer observador atento percebe que fariseus conquistaram os jornais, o cinema, a música e a televisão. O politicamente correto é parte desta estratégia. Surgiu na década de 1970 criado por intelectuais maoístas que intentavam desacreditar princípios que consideravam ortodoxos.

A Rede Globo comprou a briga do aquecimento global. Agora o Fantástico e os telejornais repetem à exaustão que o fim do mundo está virando a esquina, graças à ambição, à ganância e a Coca-Cola.
O conservador jornalista Peregrine Worsthorne acredita que é preciso reexaminar o liberalismo nos moldes do que ocorreu à cristandade no século XVIII. Em junho do ano passado, em discurso em um dos mais tradicionais clubes conservadores, o Atheneaum Club, Sir Peregrine citou como exemplo a liberdade de imprensa. "O argumento liberal para a importância da liberdade de imprensa era que isso dava aos eleitores informação necessária para votar inteligentemente"; a maioria dos jornais, no entanto, "prefere a informação deturpada ou até mesmo a desinformação". No caso brasileiro, isso fica latente.
Nenhuma mídia se preocupou em contestar o raciocínio dos mensageiros do apocalipse, nem em garantir espaço a quem se predispôs a fazê-lo. Nem mesmo a imprensa "de direita" - leia-se, Estado de S. Paulo e Veja. Quando muito, informam au passant que há cientistas que não concordam com a suposição; pior fez o Fantástico, cujo repórter afirmou que "até quem não acreditava" passou a adotar medidas que visam amenizar as mudanças climáticas.
Como o desarmamento há dois anos, a batalha contra o aquecimento global é vendida como condição sine qua non para a salvação. E os fariseus continuam ganhando a guerra.
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No apagar das luzes de 2006 o Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acusou promotores e procuradores de usarem a instituição para fazer política partidária. Segundo o Ministro, 80% das denúncias de improbidade são desconsideradas pela Corte, por falta de provas e de base legal. Desde que o Partido chegou ao poder, sumiram dos jornais notícias dando conta de que “o Ministério Público abriu inquérito para investigar denúncia”, bem como os procuradores pop-star, e boa parte do jornalismo investigativo.
Agora o Ministério Público volta às manchetes. Acusa o Deputado Federal Raul Jungmann (PPS-PE) de desvio de dinheiro público à época em que foi Ministro do Desenvolvimento Agrário no governo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. É pouco crível a idéia de que não há motivação política em uma denúncia feita seis anos depois de Jungmann deixar o Executivo. Ainda mais se levarmos em consideração que o nome do Deputado aparecia com freqüência quando era sugerida uma terceira opção para a Presidência da Câmara.
O que desperta interesse nesse assunto, por outro lado, é a maneira como “formadores de opinião” se apressaram em apresentar panos quentes. Em jornais e blogues, diversas vozes se levantaram para defender o Deputado, transformado, junto com Fernando Gabeira (PV-RJ), em guardião da moralidade pública.Não é a primeira vez que a imprensa elege “intocáveis”. Também não é a primeira vez que erram na escolha. Enquanto Ministro, Jungmann adotou medidas que podem ser consideradas, no mínimo, suspeitas. Uma rápida procura em arquivos de jornais é suficiente para estimular a memória.
No final de outubro de 2001, para citar um exemplo, o então Ministro do Desenvolvimento Agrário contratou uma empresa de publicidade para gastar R$ 2,7 milhões até dezembro do mesmo ano. Sem licitação. Nesse ano, os gastos do Ministério com comunicação aumentaram 66,32% em relação ao ano anterior, e em 2002 o aumento foi um pouco menor, 31,35%.
Também em 2002, Jungmann lançou-se candidato à Presidência da República. Dias depois, utilizou a máquina pública para apresentar ao eleitorado um balanço de sua gestão. “Acabamos com a corrupção, com os funcionários fantasmas e com o nepotismo. (...) E um sonho de paz no campo é um sonho de paz para todos nós, nas cidades ou em qualquer lugar. E nós estamos construindo isso”. A Folha de S. Paulo publicaria ainda que os números de assentamentos foram inflados, contabilizando áreas que só existem nos documentos e terrenos vazios. O Incra admitiu que os números foram alterados.
Ciente do poder da informação e da notícia, Raul Jungmann tornou-se amigo de jornalistas, e até mesmo os mais conservadores parecem seduzidos pela “falasofia” esquerdista do pernambucano. Outro político, José Roberto Arruda, atual Governador do Distrito Federal, também foi incensado por certa mídia no ano passado e apresentado como baluarte dos bons costumes, apagando do seu histórico a participação na famigerada violação do painel do Senado Federal.
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Em tempo: apenas os desavisados podem alegar surpresa diante da adesão dos tucanos à candidatura do petista Arlindo Chinaglia (PT-SP). Em junho do ano passado o jornalista Jorge Bastos Moreno, em seu blogue e em sua coluna no jornal O Globo, revelou que lideranças dos dois maiores partidos da esquerda brasileira estavam articulando "um governo de coalizão para 2007", não importando o resultado da eleição presidencial. Moreno afirmava, à época, que poucos acreditariam naquela informação, e lembrou o exemplo do jornalista Carlos Marchi, do Jornal do Brasil, que também noticiou as negociações que levaram à formação da aliança entre o então Governador de Minas Gerais Tancredo Neves e dissidentes do PDS.

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“A tendência do intelectual é ser de direita. Ele é por definição um elitista”.
Paulo Francis
segunda-feira, 25 de dezembro de 2006
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
Das incongruências
Deputada Federal eleita, Marina Maggessi, em entrevista à Revista IstoÉ, defende as milícias armadas:
Marina Maggessi defendeu a proibição da venda de armas e munição no referendo do ano passado.
Aquele complexo de atividades em volta do Piscinão envolve shows e programas culturais. O tráfico não deixava fazer nada, tudo era cobrado. A milícia entrou e prendeu todo mundo, não teve matança.
Vá na favela Rio das Pedras, onde tem milícia há muito tempo. Lá não tem nem grade nas janelas, ninguém quer sair de lá.
Marina Maggessi defendeu a proibição da venda de armas e munição no referendo do ano passado.
Perguntem ao Gil
A Quinta da Boa Vista, residência oficial dos Imperadores do Brasil, começou a ser restaurada. Há muito se reclama do mau estado de conservação do Palácio, e também há muito sucessivos governos deixaram de investir na preservação da memória física do período monárquico brasileiro.A reforma será paga pelo American Express, "sem recurso a leis de incentivo fiscal". Há alguns anos, o Banco Real financiou a restauração do Museu do Ipiranga. Ora, o capitalismo! Ora, esse sistema financeiro!
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Poucas Notas
À primeira vista pareceu que o Comitê do Nobel havia deixado para trás a retórica politicamente correta que orientou as escolhas do grupo nos últimos anos. Muhammad Yunus, com o perdão do clichê, prefere ensinar a pescar. Na contramão do ensinamento marxista, afirma que a propriedade privada é fundamental para a erradicação da pobreza - o que atrai a animosidade da esquerda bengalesa, que o acusa de defender o capitalismo.A esquerda radical disse que estamos plantando as sementes do capitalismo e nos odeiam porque dizem que destruímos qualquer possibilidade de revolução social.
Henrique Raposo, no blogue da Revista Atlântico, provoca:
O desprezo que se deu a Yunus diz muito do nosso querido ocidente. Um homem que, pelo capitalismo, retira uns milhões da miséria não interessa. (...). Se o
trabalho de Yunus desse para culpar directamente o Ocidente, terei todo o tempo de antena do mundo. Como recupera a velha tradição liberal de respeito pela pessoa, pelo trabalho, honra e respeito do indivíduo, sem piedades estatais (ou ocidentais), através de meros empréstimos bancários, de forma simples e sem grandes discursos, naturalmente, não merece atenção.
Domingo. Cerimônia em Oslo. O diretor do Comitê, Ole Danbolt Mjøs, discursa:
Esperamos que este Prêmio signifique uma aproximação com a parte muçulmana do mundo. Desde o 11 de setembro, temos visto uma tendência a demonizar o Islã. (...). Sempre dizemos unilateralmente que a parte muçulmana do mundo tem de aprender com o Ocidente. No que diz respeito a micro-crédito, o contrário é certo: o Ocidente têm aprendido com Yunus, com Bangladesh e com a parte muçulmana do mundo.
Não bastasse uma repetição insistente de "parte muçulmana do mundo", Mjøs enxerta uma questão religiosa que não entra - ou não deveria entrar - no mérito. O merecimento de Yunus reside na economia, não na teologia.
Os clérigos muçulmanos, a bem da verdade, apresentaram-se como empecilho aos projetos de Yunus. "No começo, sofremos uma grande oposição religiosa que nos acusava de destruir o Islã", porque diziam "que as mulheres tinham que continuar sendo donas-de-casa". De todos os beneficiados pelo banco de Yunus, 96% são mulheres.
E Bono ainda chega lá.
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"Vocês não mais verão a Rainha fumando", declarou a porta-voz da Casa Real dinamarquesa, Lis Frederiksen. Margrethe II habituou-se a ignorar as críticas das diversas organizações não-governamentais dedicadas à eugenia velada, e ela pôde contar com o apoio da imprensa e da maioria dos dinamarqueses. Uma lei aprovada recentemente no Folketing, o parlamento dinamarquês, proibirá o fumo em prédios públicos a partir de abril de 2007. A Rainha decidiu se antecipar.

Margrethe II fará companhia ao Rei da Suécia, Carl XVI Gustaf - que abandonou cigarro em público, mas que também manteve o hábito na privacidade -, e Juan Carlos I, que fuma desde os 14 anos. Na outra ponta estão Harald V, da Noruega, que deixou de fumar há alguns anos, e Elizabeth II - que sobre o cigarro compartilha as mesmas opiniões de sua trisavó, a Rainha Victoria, com o agravante de ter visto o pai morrer em conseqüência de um câncer no pulmão.
Além da Dinamarca, em 2007 França, Lituânia, Inglaterra e País de Gales terão alguma restrição em relação ao tabaco em locais públicos. Somam-se a Argentina, Espanha, Escócia, Vietnã, Austrália, Bélgica, Nova Zelândia, Cuba, Noruega, dentre outros.
Enquanto leis anti-tabaco ganham o mundo, uma notícia chama atenção justamente porque pouca atenção foi dada a ela. Segundo um jornal inglês, Sir Richard Doll, o primeiro a estabelecer uma relação entre fumo e câncer, escondeu que por mais de 20 anos trabalhou a soldo da Monsanto. Nesse período, Sir Richard negou que o Agente Laranja, utilizado na Guerra do Vietnã, pudesse causar câncer - o que foi refutado por estudos posteriores. O Agente Laranja era produzido pela Monsanto.
Doll também esteve na folha de pagamento da Dow Chemicals, antiga Union Carbide - responsável pelo maior desastre industrial do mundo -, da Chemical Manufacturers Association e da Imperial Chemical Industries, para quem ele escreveu um relatório, contestado pela OMS, negando a conexão entre cloreto de vinila e câncer.
Se há cinqüenta anos havia médicos que receitassem cigarros, hoje os fumantes são o alvo principal das patrulhas paternalistas. Eles sabem o que é bom para você. E têm o Estado a tiracolo.
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Depois dos fumantes, os obesos: há nos EUA quem defenda que os obesos paguem mais impostos, uma vez que têm mais problemas de saúde. E um estudo coloca os gordos como os maiores responsáveis pelo aquecimento global.
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Pinochet está morto. Ou não. É pouco provável que a esquerda chilena abandone a estratégia eleitoral que utiliza desde a restauração democrática: quando a direita ameaçava a hegemonia da Concertación, os canhotos alertavam para quão imoral era votar em quem esteve ao lado do ditador.
As reações não foram muito além do esperado. A imprensa à direita lembra que Pinochet esteve à frente de um regime autoritário e repressor, mas que a intervenção evitou uma "cubanização" do Chile, em que morreriam muitos mais. Além disso, as medidas econômicas implementadas foram fundamentais para o desenvolvimento de uma economia moderna e uma democracia verdadeiramente livre. A mídia à esquerda lembra da perseguição e da tortura e do apoio que Pinochet recebeu dos Estados Unidos, e critica as reformas econômicas, responsáveis pela concentração de renda, aumento da pobreza e diminuição de salários. Oh, o neoliberalismo...
A morte de Augusto José Ramón Pinochet Ugarte também serviu para rever velhos mitos. Semelhante ao que ocorre com João Goulart no Brasil e Perón na Argentina - e curiosamente não com Batista em Cuba -, no Chile Salvador Allende tornou-se o mártir de um novo mundo anunciado há mais de 150 anos pelas esquerdas revolucionárias. O socialismo democrático era uma prova de que uma outra realidade é possível. Obviamente, os americanos não permitiriam que isso acontecesse. Oh, os americanos...Allende não foi o herói vendido pela intelligentsia. Teve 35% dos votos em 1970. Chegou ao poder por meio de uma eleição indireta. Ameaçou prender jornalistas. Houve inflação de 500% e racionamento. Donas-de-casa saíam às ruas batendo panelas. Brigou com a Suprema Corte, que denunciou seus planos de expropriação. Seu codinome na KGB era "Líder". Era anti-semita, racista e homofóbico.
Mas não haverá ressurreição maior de mitos do que nos obituários de Fidel Castro.
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Waldir Pires era Ministro da Controladoria Geral da União enquanto estava ativo o maior esquema de corrupção da História do Brasil. Waldir Pires é Ministro da Defesa enquanto ocorre a maior crise da História da Aeronáutica.
Qual será seu próximo passo?
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Quando em março o ETA anunciou um "cessar fogo permanente", o Rei de Espanha pediu "cautela" aos negociadores. Nos 32 anos de reinado, Dom Juan Carlos já viu o ETA anunciar o fim da violência 12 vezes, inclusive um "indeterminado e incondicional" em 1998. O Presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, do PSOE - Partido Socialista Obrero Español -, fez pouco do conselho e preferiu repetir a cantilena reformista de que "daqui pra frente, tudo vai ser diferente".
Passados oito meses, os etarras ainda não depuseram as armas. Pelo contrário, em abril cometeram um atentado em Barañaín, no norte de Espanha. O Governo explicou que "o processo de paz ainda não havia começado"! O grupo terrorista explicou que não há conversa antes da autodeterminação do País Basco.

Em junho o ETA emitiu um comunicado em que exige que o Governo francês faça parte das negociações. No fim do mês, Zapatero anuncia o início do processo de paz. Em agosto, os terroristas bascos declaram que as negociações estavam "imersas em uma crise evidente", culpando os socialistas pela situação. Advertiram que "responderiam" se França e Espanha dessem continuidade à "repressão" contra a esquerda local.
Em setembro, novos atentados. Em uma celebração em homenagem a militantes etarras, três membros encapuzados anunciaram que o ETA, em nome da independência e do socialismo, continuará empunhando armas. Em outubro a França acusou o grupo de ter roubado centenas de armas e munição de uma empresa francesa. Afirmou ainda que o contrabando de armamentos continuou depois do cessar fogo.
Em novembro, jovens militantes do Batasuna, o braço político do ETA, tentaram incendiar dois policiais. Os terroristas ameaçaram interromper o processo de paz. A direção do PSOE admitiu que as dúvidas sobre o processo de paz são justificáveis e legítimas. Tarde demais.
Pesquisas recentes mostram que a vantagem dos socialistas sobre os populares é inferior a 1%, e jornais da esquerda, como o El País e o Cadena Ser já admitem uma vitória do Partido Popular nas próximas eleições. Os espanhóis votaram nos socialistas em 2004 para se ver livres do terrorismo. Zapatero tirou as tropas do Iraque, mas cultivou terroristas em casa. O ETA tem ligações com o IRA e as FARC, e nos últimos 38 anos matou mais de 800 pessoas, inclusive o Primeiro-Ministro Luis Carrero Blanco em 1973.
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"A multidão, quando se vê de posse da autoridade, é ainda mais cruel que os tiranos".
Platão
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
domingo, 10 de dezembro de 2006
Augusto José Ramón Pinochet Ugarte (1915-2006)
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Há 15 anos...
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
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